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marleth silva

Conversa com Ludwig Börne

  • Pormarlethsilva@yahoo.com
  • 25/12/2015 23:01
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Ele se queixa ao visitante: “Fui tão selvagem quanto tinha pouca bagagem e nenhuma porcelana. Mudava facilmente de endereço porque qualquer lugar me servia e não era difícil juntar meus pertences. Agora, penso muito e acabo por ficar quieto. Será que é porque amo este lugar? Ou porque temo o trabalho de transportar meus objetos? As porcelanas são tão delicadas... Amo especialmente as xícaras com figuras de reis e rainhas felizes, o bule arredondado que serve de moldura para uma paisagem alemã. Mas, se essas peças lascarem, perdem o valor. Por isso não as movo. Ao mesmo tempo, lamento ter sido domesticado por porcelanas. Logo eu, que sempre fui tão livre. Hoje me prendo a uma casa, a um endereço. Era bom surpreender os conhecidos ao dizer com naturalidade: Ah! Então você não sabe? Saí daquele bairro. Na realidade, nem moro mais neste país!

Agora todos sabem onde moro e sou figura conhecida na cidade. Nunca mais tive a sensação libertadora de ser um estranho, de caminhar incógnito pelas ruas. De flertar com a mulher casada no café sem temer que alguém me reconheça e faça comentários maldosos sobre mim. Não mais experimentei a liberdade de dizer meu nome e de meu nome não dizer nada para quem me ouve. Aqui sou figura respeitável. Recebo autoridades em casa para um cafezinho, que sirvo nas pequenas xícaras de porcelana. Sempre alguém nota como são raras, como são finas. Se não notam, perdem um pouco da minha estima. Toscos.

O dono de porcelanas finas não pode ser um selvagem

Você notou minha porcelana. Vi em seus olhos que se perguntava o que ela significa. De fato, não é apenas um capricho, não é uma herança. É algo delicado que desejei ter e que, ao possuí-lo – me dou conta disso agora –, também me possuiu.

Fui tão selvagem quanto tinha pouco. O dono de porcelanas finas não pode ser um selvagem. Tem de se estabelecer e manter a ordem na casa e conviver apenas com pessoas finas que sabem usar xícaras pequenas. Fui domesticado pelos tesouros que conquistei.

Chego até a acreditar que o vendedor de porcelana era um agente contratado pelos meus inimigos. Por isso esse conjunto de chá custou tão pouco. Fazia parte de um plano diabolicamente arquitetado para me conter. Para roubar de mim a energia primitiva, a disposição para a luta e para a mudança, a coragem para viver aventuras. Aos poucos vou deixar de ser quem era. Viverei para manter o que já tenho e não para criar algo novo.”

O visitante que ouve o desabafo e que julga se tratar de uma piada faz sinal de interromper. Por isso ele se obriga a concluir:

“Mas ainda sou um homem forte o bastante para romper os meus grilhões de porcelana e, se me esquentarem a cabeça, hão de voar pela janela o bule de chá com todos os seus belos dourados... E serei de novo um homem tão livre como antes! Porque me sinto morto com tanta acomodação. A acomodação é antinatural. Nada é tão constante como a mudança.”

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