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A Banda da Policia Militar do Paraná desfila pela Rua Quinze, tendo à frente o capitão e maestro Romualdo Suriani – na década de 1930 |
A Banda da Policia Militar do Paraná desfila pela Rua Quinze, tendo à frente o capitão e maestro Romualdo Suriani – na década de 1930| Foto:
  • Carnaval de 1912. O público espera o corso abaixo de chuva, na Rua Quinze esquina com a atual Monsenhor Celso
  • A mais famosa loja que existiu na Rua Quinze na década de 1920 era a Nacional, de Euclides Requião. Na foto, promoção de brinquedos – em 1928
  • Como a via principal da cidade, a Rua Quinze de Novembro foi servida por bondes até ser asfaltada em 1927. A foto é de 1925
  • A primeira quadra da Rua Quinze, entre Ébano Pereira e Dr. Murici – em foto de 1948
  • Início da década de 1950. A Rua Quinze de Novembro com movimento de pedestres e automóveis, na esquina da Rua Dr. Murici

Vamos pôr a banda na rua, aqui na Nostalgia. Antigamente, na década de 1930, a data da Proclamação da República era comemorada, em Curitiba, com desfiles e atos cívicos. Atual­­mente, tais comemorações não são mais realizadas, é mais um feriado dedicado ao lazer.

Vamos usar a nossa máquina do tempo e festejar o feriado de amanhã com imagens curiosas e históricas da nossa Rua Quinze de Novembro, que no passado já foi Rua das Flores – até 1880 –, Rua da Im­­­­peratriz – até a Pro­­­clamação da República, em 1889. Para tal comemoração, nada mais justo que abrir o evento com a Banda da Polícia Militar desfilando pela Quinze, sob o comando e regência do maestro Romualdo Suriani, lá na longínqua década de 1930.

Depois de ver a banda passar, nada como uma esticada para ver as vitrines das lojas com suas mercadorias expostas e enfeitadas com bandeiras, fitas e guirlandas em homenagem à data. O caro leitor nunca passeou pela Rua Quinze para ver as vitrines? É uma pena. Já se foi aquele tempo em que se podia ter tal distração. Hoje em dia, a rua após o escurecer morre. Morrem também outras ruas e praças de Curitiba. A cidade se transforma numa daquelas vilas da Transilvânia.

Ainda não vimos crucifixos atados às portas, tampouco réstias de alhos pendurados nas janelas fechadas. Entretanto, é só o que falta. Poucos se atrevem a perambular pelas ruas durante a noite. Ao longe, de vez em quando, um giroflex indica, com seu piscar, que tem alguma polícia de ronda. A luz vermelha, intermitente, é outra arma para espantar os vampiros das noites curitibanas, já que nem o símbolo cristão e muito menos o odor do alho fazem efeito sobre a marginália que se esconde nas sombras, após o pôr do sol. Pererês de duas pernas acendem seus cachimbos de crack, narinas dilatadas aspiram o pó da morte, além de milhares de pulmões jovens que absorvem a fumaça delirante da maconha. Deixemos esse tempo sujo.

Voltamos para o nosso passeio saudoso pela velha Rua Quinze e recordamos os animados carnavais do passado, os desfiles da estudantada, calouros da primeira universidade do Brasil e única então no estado, a Universidade do Paraná. Dia Santo de Guarda, procissão ao som de ladainhas e perfumada pelo incenso dos turíbulos. Ra-ta-plam dos bumbos das paradas, piazada de alvos aventais engomados desfilando e acertando o passo para a vida. Garbo da milicada verde-oliva acompanhando o som da banda, numa parada que desfila na memória pelo resto da vida.

Os festejos da data histórica e a saudosa Rua Quinze de Novembro de Curitiba ficaram apenas nas lembranças de quem viveu e viu.

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