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Acef Said, presidente do Conseg do Batel, em Curitiba, ainda desconfia da concretização da proposta. | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Acef Said, presidente do Conseg do Batel, em Curitiba, ainda desconfia da concretização da proposta.| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Um grupo de representantes de Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) pretende unir a agenda das políticas públicas sobre prevenção e combate à violência com a criação de uma associação paranaense dessas entidades. Além desse objetivo, eles querem focar no fortalecimento do debate sobre segurança pública e reforçar a participação da sociedade civil na formulação de políticas. A fundação da Associação dos Conselhos Comunitários de Segurança do Paraná (Aconsepar) será na próxima quinta-feira (26), no auditório da Faculdade Esic, no bairro Hauer, em Curitiba, às 19h30.

Sem estrutura

O Conseg Batel está com dificuldades de se manter. Precisa de colaboração para pagar as contas fixas de água, luz e telefone. A entidade não cuida só da segurança, mas dá aulas de inglês a policiais e informática, para a população. Quem quiser entrar em contato para ajudar ou participar do Conseg, o telefone é (41) 3323-6236.

Cobrar prevenção deve ser o foco da associação, avalia sociólogo

Para o sociólogo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Cézar Bueno, a Aconsepar deve focar na cobrança e no debate sobre prevenção. “Unificar a perspectiva de segurança que vai além do básico é fundamental. O fato é que, efetivamente, devem cobrar menos repressão e mais prevenção”, avalia. De acordo com Bueno, segurança pública não pode ser tratada pontualmente por bairros. “É um problema que tem que ser debatido regionalmente. A associação deve também pensar em cobrar escolas, trabalho, entre outras questões que repercutem na segurança.”

O advogado Marcelo Jugend afirmou que a Aconsepar pretende também ampliar o debate de segurança, tirando o foco policialesco, mostrando a importância da participação da população e da inclusão de temas de responsabilidades do município.

O representante do Conseg do bairro Cristo Rei, da capital, o advogado Marcelo Jugend, é um dos idealizadores da Aconsepar. De acordo com ele, a associação já tem a adesão de 13 consegs de Curitiba e um de Londrina. Jugend explica que as necessidades dos bairros e cidades do interior ainda são colocadas na pauta de forma muito desunida. O problema, segundo ele, mora exatamente nisso. “Hoje cada bairro defende o seu interesse”, comenta. O advogado argumenta que os problemas em cada bairro repercutem em outros. Vale o mesmo para as pequenas cidades do interior. “É preciso que o Conseg do Jardim das Américas se incomode com os problemas do Parolin, por exemplo”, afirma.

Há alguns anos, os conselhos tentaram constituir uma entidade que unisse os objetivos das entidades, a União dos Conselhos Comunitários de Segurança (Uniconseg). Essa união não vingou. Por isso, a Aconsepar chega com certa desconfiança entre alguns conselheiros.

O presidente do Conseg do Batel, Acef Said, diz que esperará mais tempo para depositar a confiança numa nova associação. “Já vi várias pessoas iniciando esse tipo de trabalho com objetivos pessoais. Sei que pode não ser o caso, mas prefiro esperar”, afirma Said.

Jugend acredita que a diferença para a organização anterior é, principalmente, as pessoas envolvidas. “Acredito que a articulação e o compromisso que se criaram façam a diferença agora.”

Para o responsável pela Coordenação Estadual dos Consegs – ligado à Secretaria de Estado da Segurança Pública –, Caio Rizzardi, a criação da Aconsepar deve estreitar as relações entre estado e comunidade. “A unificação do diálogo é muito boa”, diz.

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