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Um dos elevadores do Edifício Jayme Canet, no centro de Curitiba, despencou do 2.º andar e deixou 5 pessoas feridas | Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Um dos elevadores do Edifício Jayme Canet, no centro de Curitiba, despencou do 2.º andar e deixou 5 pessoas feridas| Foto: Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Itens necessários para segurança dos elevadores

Apesar de o laudo sobre a queda do elevador do edifício Jayme Canet ainda não estar concluído, algumas hipóteses podem ser levantadas sobre o acidente, segundo o coordenador da Câmara de Engenharia Mecânica e Metalurgia do Crea-PR Sérgio Yamawaki. São basicamente cinco pontos que interferem na questão de segurança e que precisam ser avaliados, segundo o coordenador:

- fadiga [desgaste] dos cabos do elevador;

- dispositivo de freios do equipamento;- excesso de peso;- empresas qualificadas para a manutenção;- atendimento às normas atuais de elevadores.

Quando há desgaste nos cabos que carregam o elevador e eles se rompem, um sistema de segurança é acionado e freios impedem que o elevador caia. "Se isso ocorrer, o elevador cai no máximo, meio metro e para por causa do freio. Neste caso, pode ter acontecido uma sucessão de erros, desde um rompimento de cabo até a falha nos freios", diz Yamawaki.

O coordenador alerta para que a população e os síndicos de edifício evitem manter o sobrepeso no transporte. "O excesso de pessoas também deve acionar a trava do equipamento."

Outro alerta para os responsáveis pelos edifícios é que contratem empresas reconhecidas com profissionais qualificados. Segundo Yamawaki, 95% das empresas que trabalham neste ramo são pequenas e, por cobrarem preços baixos, são contratadas. Porém, nem sempre seriam qualificadas. Ele ainda lembra que muitos condomínios possuem elevadores antigos, que não atendem a normas mais recentes para elevadores, o que pode agravar a segurança dos equipamentos.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) vai vistoriar nesta sexta-feira (16) o elevador que caiu do segundo andar do edifício Jayme Canet, localizado na Rua Voluntários da Pátria, no Centro de Curitiba. O acidente deixou cinco pessoas feridas, sem risco de morte. Engenheiros do Crea apontam que falhas em manutenção podem ter levado ao acidente.

O equipamento, que tem capacidade para 15 pessoas – ou 1.050 quilos – descia do 14.° andar com um grupo de pessoas e havia parado no 2.° piso. De lá, teria despencado e provocado ferimentos nos ocupantes. O Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a ocorrência e encaminhou as vítimas para o Hospital Evangélico. Entre os feridos estavam quatro homens e uma mulher.

A gerente de fiscalização do Crea-PR, Vanessa Moura, diz que é rotina do conselho ir a locais onde acontece esse tipo de acidente. A equipe vai averiguar se houve manutenção periódica no edifício. "É responsabilidade do condomínio ter uma empresa, que vai também contratar um profissional qualificado responsável [engenheiro] por essa manutenção", explica Vanessa. A equipe da entidade vai verificar se houve falha humana na manutenção dos equipamentos ou má-fé por parte do responsável. Caso seja averiguada alguma falha deste tipo, o engenheiro poderá passar por um procedimento interno no Crea-PR, o que pode culminar em advertência ou até mesmo a suspensão do registro no conselho.

A princípio, segundo Vanessa, os profissionais do conselho não encontraram no banco de dados os registros de manutenção periódica, chamados ARTs (Anotação de Responsabilidade Técnica), do equipamento. A ART é um instrumento previsto na Lei Federal n.º 6.496/1977 que garante as responsabilidades técnicas de profissionais e usuários em serviços como o elevador de um edifício.

Vanessa explica que a ART é emitida a cada visita periódica realizada pelo profissional responsável. "Do que averiguamos em nosso sistema, não encontramos nenhuma ART. Mas isso não quer dizer que não tenha sido feita [a anotação]. Os profissionais, às vezes, anotam endereços errados dos locais que passam por manutenção e isso causa essa confusão [nos dados]", diz, sobre o caso do elevador do centro de Curitiba.

A recomendação é de que os engenheiros responsáveis façam manutenção periódica de, no mínimo, a cada ano nesses equipamentos. "Agora o que será feito é uma manutenção corretiva, já que houve um acidente", completa Vanessa.

Em resposta, a empresa Otis, que cuida do elevador que caiu no local, diz que a manutenção do equipamento é feita uma vez por mês. Por causa do acidente, a empresa enviou profissionais para averiguar as causas da queda do equipamento. Entretanto, segundo a empresa, não se sabe ainda o motivo da queda. Também não foi dado prazo pela Otis para a emissão desse documento.

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