Menina foi atingida por uma cabine do brinquedo “Crazy Dance”, no dia 31 de outubro | Bianca Garmatter / Gazeta do Povo
Menina foi atingida por uma cabine do brinquedo “Crazy Dance”, no dia 31 de outubro| Foto: Bianca Garmatter / Gazeta do Povo

Fique atento

Confira alguns itens de segurança que devem ser observados nos parques de diversão:

Pintura

Observe se a pintura dos equipamentos está em bom estado de conservação. "Se não há uma preocupação com a estética, que é visível, provavelmente não há cuidado com as questões mecânica e elétrica, que geralmente não estão expostas", analisa o coordenador técnico do Cosedi, Hermes Peyerl.

Instalação elétrica

Fios elétricos descobertos e em contato com o chão ou água são extremamente perigosos, pois podem causar choques fatais. Evite andar em brinquedos cujos fios estejam à mostra, assim como transitar por locais onde eles possam ser tocados ou pisados.

Cintos de segurança

Não ande em brinquedos que não ofereçam cinto de segurança quando observar que eles são necessários. Caso eles estejam disponíveis, observe se eles são adequados à idade da criança e se são resistentes.

Correntes

Evite brinquedos cujas correntes estão gastas ou com ferrugem. Há grandes chances de que elas arrebentem com o atrito ou com a força mecânica do equipamento..

Grades

Toda área que leva aos brinquedos precisa contar com grades ou portões de segurança que impeçam o acesso a quem não irá usar o equipamento. Caso eles não existam, redobre a atenção ou nem mesmo permaneça próximo ao local.

Fiscalização

Todo parque de diversões, itinerante ou não, deve ter licença de localização e funcionamento expedida pelo órgão municipal competente. No caso dos itinerantes, um novo alvará deve ser expedido a cada vez que o equipamento é montado. Para os demais casos, o alvará tem validade de um ano. Também deve haver licença por parte do Corpo de Bombeiros em ambos os casos.

Fonte: Cosedi, da prefeitura de Curitiba

Falta de normas é problema

A falta de normas nacionais básicas de segurança para parques de diversão dificulta a fiscalização e cria condições para a ocorrência de acidentes como o que matou Gabrielle Redert, de 2 anos.

Atualmente, cabe às prefeituras exigir e fiscalizar o cumprimento de itens de segurança a cada vez que um parque, itinerante ou não, se instala no município. Embora haja uma série de normas mínimas que devem ser atendidas, o cumprimento dos itens pode variar de acordo com o entendimento dos órgãos. A reivindicação é para que uma espécie de manual, a ser elaborado em conjunto por empresas fabricantes dos equipamentos, parques de diversão e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ajude a uniformizar os procedimentos.

De acordo com o coordenador técnico da Comissão de Segurança em Edificações e Imóveis (Cosedi), da Secretaria Municipal de Urbanismo, Hermes Peyerl, manual é de extrema importância, pois facilitaria o trabalho dos engenheiros responsáveis pela fiscalização. "Não há, por exemplo, norma que defina o tempo mínimo de reposição dos equipamentos, e muitos, principalmente os de empresas de pequeno porte, têm tempo de uso além do recomendado. Hoje, a determinação da reposição depende muito da sensibilidade do engenheiro, e a norma viria a ajudá-lo nesse sentido", explica.

No caso do acidente em Paranaguá, que pode ter ocorrido por falha na fiscalização do acesso ao brinquedo, Peyerl afirma que o manual ajudaria a suprir outra deficiência: o treinamento de funcionários. "Quem vai ao parque para se divertir não tem ideia dos perigos. É preciso que os funcionários conheçam bem os procedimentos, verifiquem se as pessoas estão usando cintos de segurança e estejam atentos para a movimentação de crianças, já que elas são a maioria do público. A gestão é tão importante quando a segurança dos equipamentos".

A assessoria de imprensa da ABNT informou que um projeto de normatização está sob consulta pública no site da associação (www.abnt.org.br) até o dia 20 de dezembro, devendo ser publicado e colocado em prática pelas empresas e parques após essa data. (VP)

Uma criança de 2 anos morreu na noite do último domingo em um parque de diversões que funcionava na Festa de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, litoral do estado. Gabrielle Regina Redert, que iria completar 3 anos no próximo dia 8, estava com a família no parque quando ocorreu a tragédia. Segundo testemunhas, ela se distanciou da mãe, que soltou a mão da menina para pegar uma máquina fotográfica. Em segundos, Gabrielle correu em direção ao brinquedo Crazy Dance, onde estava sua tia.

O equipamento ainda estava parado no momento em que a menina passou pelo portão de saída, que estava aberto. "O padrasto dela entrou no brinquedo para pegá-la, só que ele não conseguiu alcançar a Grabrielle. Não é possível que o condutor do brinquedo não tenha visto um adulto em pé antes de ligar o aparelho", lamenta a irmã da menina Andrielle Regina da Silva. "Não queremos culpar ninguém, mas acho que se o responsável pelo brinquedo tivesse fechado o portão, isso não iria acontecer."

De acordo com a polícia, o operador foi deixar os ingressos na cabine e só depois de ligar o brinquedo percebeu que a criança havia ultrapassado o portão de segurança. A menina prendeu o pé em uma parte do equipamento e não conseguiu se soltar, mesmo com a ajuda de sua tia, que viu a sobrinha batendo a cabeça várias vezes. Gabrielle chegou a ser encaminhada ao Hospital Regional de Paranaguá, porém, uma hora depois do acidente ela não resistiu aos ferimentos.

O Instituto de Criminalística fez vários testes no local ontem e informou que a criança não seria capaz de abrir a trava sozinha se o portão realmente estivesse trancado. De acordo com o delegado adjunto da 1.ª Subdivisão da Polícia do Interior, Rômulo Contin Ventrella, as investigaçõs já foram iniciadas e os funcionários do parque estão sendo ouvidos. "O parque tem total responsabilidade pela segurança dos brinquedos, tanto pela manutenção quanto pelo acesso a eles", diz.

O parque, montado ao lado do santuário de Nossa Senhora do Rocio, foi interditado preventivamente. O secretário municipal de Serviços Urbanos Vilmar Cruz diz que a prefeitura emitiu o alvará de funcionamento após a apresentação da licença pela vigilância sanitária e pelo Corpo de Bombeiros. "O parque está dentro dos conformes, o que ocorreu foi uma fatalidade", diz.

Outro lado

O gerente do parque, André Martins, afirma que não houve negligência dos funcionários. Ele diz que, no momento do acidente, três funcionários estavam no local – um próximo à grade de saída, um próximo à grade de entrada e um terceiro na operação do brinquedo. De acordo com ele, quando o brinquedo entra em movimento, os funcionários que tomam conta da entrada e saída dirigem a atenção para o público, com o intuito de avisar ao operador se alguém passar mal.

Martins afirma que estava no parque no momento do acidente, mas longe do brinquedo. "Eu ouvi testemunhas que estavam ali e elas me disseram que, quando a criança entrou, foi muito rápido. Quando o funcionário notou a presença dela, ele pediu para o operador parar o brinquedo, mas, assim como um veículo, você não pode parar o brinquedo bruscamente, pois há riscos. Então, ele acionou o botão de emergência, mas nesse momento a criança já havia sido atingida."

O gerente afirma que, ao contrário do que foi afirmado por testemunhas à polícia, o portão de acesso ao equipamento não estava aberto, e que Gabrielle teria condições de abri-lo sozinha. "Hoje mesmo eu fiz um teste com uma criança da idade dela e ela conseguiu abrir o portão." Martins afirma que irá estudar formas de aprimorar a segurança. "O brinquedo já vem assim de fábrica, e como isso nunca aconteceu, estávamos tranquilos, mas vamos ver como melhorar a segurança das grades."

O parque, segundo Martins, prestou assistência à família, e se ofereceu para custear o enterro, o que não foi aceito pelos pais de Gabrielle. "Nós entendemos, é um momento muito difícil." O gerente afirmou que o parque cumpre todas as exigências da prefeitura e do Corpo de Bombeiros, e que está há 35 anos em funcionamento, sem nunca ter se envolvido em um acidente deste tipo.

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