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Acidentes domésticos

Crianças de 1 a 4 anos são maiores vítimas de intoxicação

Veja os produtos mais comuns em casos de intoxicação |
Veja os produtos mais comuns em casos de intoxicação (Foto: )

O Brasil registrou 479 mortes em 108.405 casos de intoxicação por substâncias tóxicas em 2007. Os dados foram registrados por 30 Centros de Informação e Assistência Toxicológica espalhados por todas as regiões do país, que integram o Sistema Nacional de Informações Toxicofarmacológicas (Sinitox). Apesar da maior parte das instituições se concentrar nas regiões Sul e Sudeste, o mapeamento é um reflexo da contaminação por substâncias químicas no Brasil. Nesse espelho, observa-se, por exemplo, a prevalência de ocorrências (22%) na faixa etária entre 1 e 4 anos.

De acordo com a coordenadora do Sinitox, Rosany Bochner, os números são uma amostra das ocorrências nacionais. "O estudo aponta várias questões indicadas na literatura e perceptíveis em cada região", diz. Rosany relaciona a facilidade de compra de medicamentos com os índices de contaminação. "Há uso e venda indiscriminada de remédios hoje em dia, além da automedicação, por isso eles aparecem sempre como causa número um", afirma.

A pesquisa corrobora a afirmação de Rosany, e os medicamentos dominam os índices de intoxicação no país. Em seguida, aparecem os domissanitários (produtos destinados à higienização ou desinfecção), produtos químicos ou industriais, agrotóxicos de uso agrícola e animais peçonhentos (exceto cobras, aranhas e escorpiões). Em Curitiba, há semelhanças com os índices nacionais. A capital, contudo, tem dois invasores na lista: as aranhas e os raticidas. Enquanto os índices de contaminação curitibana são baixos, a mortalidade é considerada alta na cidade, conforme a pesquisa. Dos 1.632 casos em 2007, ocorreram 21 óbitos – um em cada 78 ocorrências.

Crianças

Os números comprovam que as crianças são a faixa etária que mais sofre com intoxicações, especialmente entre 1 e 4 anos. Das 108 mil ocorrências, aproximadamente 24 mil aconteceram nessa faixa etária. "É a idade em que a criança explora tudo pela boca", explica Alessandra Françóia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura. "Ela ainda não tem capacidade de discernir o que é cada coisa. Como estão em uma fase de descobertas, acabam confundindo um produto de limpeza com suco ou refrigerante." Dados da instituição apontam para 81 vítimas de intoxicação em 2006.

Rosany afirma que o principal momento das ocorrências é aos 2 e 3 anos. "Até 1 ano, a mobilidade é muito baixa. A partir dos 2 anos, elas começam a se movimentar mais, mas não têm paladar apurado, por isso o pico está nessa faixa", diz. "O envenenamento está diretamente relacionado ao acesso, a toxicidade do produto e a embalagem", acrescenta Alessandra. Como comparação, cerca de 7 mil crianças (6%) entre 5 e 9 anos sofreram algum tipo de contaminação.

Em março, a auxiliar de higiene hospitalar Andréia Cristina da Cruz Oliveira tomou um susto com a filha Raquel, de 3 anos. A menina ingeriu vários comprimidos de um medicamento para labirintite e foi parar no hospital. "Sempre tomamos esse cuidado", garante. "Guardávamos os remédios no alto, em uma caixa de fundo falso. Mas ela encontrou e acabou comendo." Depois do atendimento, Raquel foi liberada sem precisar de internação, mas deixou o alerta à família. "Conversamos muito mais com ela", conta Andréia. "Colocamos cadeados em alguns lugares. Adotamos procedimentos que possam evitar novos problemas."

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