Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Violência sexual

“Crianças também podem se defender”

Além de todos os cuidados que os pais possam tomar ao confiar a proteção dos filhos a pessoas e ambientes estranhos, a própria criança também tem a capacidade de se defender de possíveis agressores. Para especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, é esse instinto de autopreservação que faz com que algumas crianças não se tornem vítimas.

"O agressor, o pedófilo percebe isso, principalmente quando precisa manter o vínculo com um grupo grande de crianças. Ele escolhe o alvo mais fácil, a criança menos protegida, mais inocente", explica a psicóloga especializada em infância e adolescência e professora da Faculdade Evangélica, Paula Gomide.

A promotora Cibele Cristina de Resende, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Criança e do Adolescente, afirma que os pais devem ensinar certos limites aos filhos. "A criança tem de fazer sua própria defesa, e a família e a escola devem orientar nesse sentido. Ela precisa saber que em certas partes do seu corpo não se mexe, que certas brincadeiras não são permitidas. A criança tem essa percepção. Basta desenvolvê-la", ressalta.

"Em situações como essa acusação ao rapaz do shopping, tudo o que o agressor não quer é uma criança que negue, que ofereça o mínimo de resistência", explica Paula. Para ela, as investigações do caso da loja Caverna do Dino mostram que a vítima não estaria preparada para "se defender": "O fato de ela não ter contado à mãe imediatamente mostra isso. Uma insegurança da qual, ao que parece, o agressor teria se beneficiado".

Teste

A ameaça de ter um pedófilo como responsável pela guarda de uma criança também pode ser sensivelmente diminuída pelas empresas. De acordo com a presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-PR, Márcia Caldas, embora não seja obrigatório a exigência do exame psicológico, esse procedimento seria fundamental para evitar situações como a que teria ocorrido em uma loja infantil em Curitiba.

"Dificilmente um profissional capacitado não perceberia algum problema com um pedófilo", ressalta. "Esse episódio deve fazer com que os empresários que oferecem esse tipo de serviço repensem algumas coisas. Trabalhar com crianças, cuidar de crianças é uma tarefa complicada, que exige atenção redobrada", afirma a promotora Cibele.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.