| Foto: André Rodrigues/ Gazeta do Povo

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Acompanhe outros trechos da entrevista no blog Ir e Vir de Bike, em www.gazetadopovo.com.br/blogs/ir-e-vir-de-bike/

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Desde 1.º de agosto, a Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran) tem um novo titular – o quarto em pouco mais de um ano e meio, desde que a pasta foi criada. No lugar do engenheiro Joel Krüger, que deixou o cargo para se dedicar inteiramente à presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), assumiu a advogada especialista em Trânsito Luiza Simonelli, que já atuava na secretaria. Em entrevista à Gazeta do Povo, ela evitou se posicionar em pontos polêmicos, como a indefinição sobre os radares, mas reconheceu que a fiscalização do trânsito hoje não é a ideal por falta de pessoal – são apenas 356 agentes quando seriam necessários 1,1 mil. Diante disso, afirmou que a tônica de sua gestão será buscar uma mudança de comportamento, priorizando a orientação aos motoristas em vez das autuações. Confira os principais trechos da entrevista.

Quando foi convidada para o cargo, que recomendações o prefeito Gustavo Fruet fez para o trabalho na Setran?

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A nossa preocupação maior neste momento é fazer entender que o trânsito é um espaço de convivência. E o processo educativo é nossa grande aposta. A fiscalização tem de acontecer, mas com muita orientação. Essa é a recomendação para o nosso agente [de trânsito]. Se ele constatou que o motorista está estacionado em uma vaga de deficiente, então deve conversar, orientar e pedir para sair.

A autuação será uma medida extrema?

Extrema não, porque o agente está pautado na norma, na lei. Se verificou e constatou a infração, ele pode autuar. Mas vocês não acham melhor conversar, se a gente está num momento de dialogar, de construir um conceito? Será que eu não estou construindo algo novo quando digo: "Por favor, o senhor pode se retirar desta vaga, já que ela é preferencial para o deficiente"?

Mas a sensação não é de que falte conversa, mas sim de que falta gente fiscalizando.

E falta. Sabe quantos agentes nós temos? São 356, divididos em sete grupos que fazem seis horas cada um, fora férias e licenças que eles tiram. E desses 356, metade são do EstaR [Estacionamento Regulamentado]. Hoje, o Denatran diz que o número ideal de agentes para Curitiba seria de 1.100. Falta fiscalização, mas não se pode criar a sensação de impunidade, porque o grupo que está na rua está fiscalizando.

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Um projeto foi encaminhado pela prefeitura à Câmara prevendo a criação da carreira municipal de agente de trânsito, para que um concurso possa ser feito. Quando o município pretende ter mais agentes nas ruas?

Com cada vereador que estamos conversando, temos esclarecido que esse projeto não surgiu do nada. É por falta de agentes para trabalhar que talvez a população tenha essa sensação de impunidade. Só que não é um concurso público qualquer. É um concurso que demanda uma academia, demanda o camarada entender de legislação, de relacionamento humano. Nós temos uma conversa agendada com o presidente da Câmara e com o líder do governo para que eles sejam amparados ainda mais na hora de defender a aprovação do projeto.

Há mais de dois meses foi entregue ao prefeito as conclusões do estudo feito pelo grupo que analisou o imbróglio dos radares em Curitiba, mas não se tocou mais no assunto. Quando a prefeitura se posicionará a respeito?

Primeiro tem de ficar claro que o radar é um equipamento eletrônico eficiente. Mas o que diz a própria legislação? Que se coloque o radar num local e, se ele cumpriu seu papel, que possa ser retirado do lugar e colocado em outro, onde está dando problema. É nisso que estamos amparados. As administrações passadas entenderam que este equipamento eletrônico seria mais eficaz para educar. Mas nós sabemos que isso não aconteceu, tendo em vista o número de autuações por radar que temos. Quer dizer, não educou tanto. A questão deve ser tratada pelo prefeito ainda neste mês. Ele está muito embasado, muito amparado para as decisões que vai tomar. Todas as questões colocadas pelo grupo estão muito bem fundamentadas tecnicamente.

Outra questão em aberto é a possibilidade de se decretar feriado nos dias de jogos da Copa em Curitiba a fim de facilitar a mobilidade na cidade. A Câmara está discutindo o caso, mas qual a posição do município a respeito?

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Embora eu seja advogada, obviamente não tenho procuração do prefeito para falar sobre isso. Mas falo do ponto de vista da Secretaria de Trânsito. Veja, se nós teremos uma demanda de 45 mil pessoas dentro do estádio e 45 mil em torno do estádio, obviamente, por segurança pública e da via, melhor se for feriado. Isso, no meu entendimento. Sei que há um embate com a questão do comércio, que é impactante também, pois é o dia em que o comerciante podia vender muita bandeira, muita camiseta, muito tênis. Mas eu não sei como o prefeito está tratando disso.