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Atendimento: sem marcar horário, espera pode ser longa | Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Atendimento: sem marcar horário, espera pode ser longa| Foto: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo

Há poucos pediatras

Segundo o presidente da So­­ciedade Paranaense de Pedia­tria, Aristides Schier da Cruz, o fato de Curitiba contar com poucos hospitais que fazem o atendimento emergencial completo de crianças não é o único culpado pelas longas ho­­ras de espera nos pronto-socorros. A falta de clínicas e consultórios pediátricos não só na cidade, como em todo o país, também prejudica a qualidade do atendimento.

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Serviço

Conheça as instituições que oferecem pronto-atendimento pediátrico 24 horas em Curitiba:

> Hospital Nossa Senhora das Graças - Rua Alcides Munhoz, 433, Mercês, (41) 3240-6642.

> Hospital Pequeno Príncipe (SUS e convênios) - Avenida Silva Jardim, 1.632, Rebouças, fone (41) 3310-1010.

> Hospital Vita Curitiba - BR 116, Km 396, 4.021, Bairro Alto, fone (41) 3315-1935.

> Hospital das Nações - Rua Raphael Papa, 10, Alto da XV, fone (41) 3306-9000.

> Hospital Evangélico (SUS e convênios) - Alameda Augusto Stellfeld, 1.908, Bigorrilho, fone (41) 3240-5000.

> Hospital do Trabalhador (SUS e convênios – em caso de traumas) - Avenida República Argentina, 4.406, Novo Mundo, fone (41) 3212-5700.

Apenas dois hospitais de grande porte em Curitiba – o Pequeno Príncipe e o Vita Curitiba – continuarão a oferecer o serviço de pronto-atendimento pediátrico 24 horas caso o Hospital Nossa Se­­nhora das Graças encerre o serviço de emergência infantil, como divulgou na semana passada.

O hospital havia anunciado que deixaria de atender crianças no pronto-atendimento a partir do dia 31 de janeiro, alegando que a mudança seria feita para que a instituição pudesse dar mais atenção ao atendimento de alta complexidade, como transplante de medula óssea e hemodinâmica.

A medida preocupou muitas famílias que utilizavam o serviço, que atendia cerca de 4 mil crianças por mês. As reclamações feitas pela comunidade levaram a direção do hospital a prorrogar o funcionamento do atendimento emergencial no pronto-aten­dimento por tempo indeterminado. A decisão foi comunicada ontem à tarde.

Apesar do adiamento, acredita-se que o hospital manterá a decisão de fechar o pronto-atendimento, já que isso faz parte das novas diretrizes previstas pelo seu planejamento estratégico. Por isso, outros hospitais que oferecem o pronto atendimento infantil já estão se preparando para um aumento na demanda. Em Curitiba, cerca de 25 mil crian­­ças são atendidas por mês pelos serviços de pronto-atendimento pediátrico dos hospitais. O movimento aumenta entre os meses de abril e agosto, quando as temperaturas diminuem.

O Hospital Pequeno Príncipe, que atende em média 10 mil casos de emergência por mês, tanto pelo Sistema Único de Saúde quanto pelos convênios de saúde, acredita que o aumento será de 15% a 20% quando o serviço emergencial do Nossa Senhora das Graças deixar de funcionar. Segundo o diretor-clínico do Pequeno Príncipe, Donizetti Giamberardino, a instituição terá capacidade de suportar este aumento. "Antes mesmo de receber a notícia, já estávamos planejando uma ampliação da sala de espera do pronto-socorro, além da construção de três novos consultórios", explica.

O Hospital Vita Curitiba recentemente concluiu a ampliação de sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, que é a única exclusivamente privada da cidade. Também é um dos únicos hospitais do país a dispor de cirurgiões pediátricos 24 horas por dia. Mas, apesar de todos os investimentos realizados nos últimos anos, o gerente médico Osni Silvestri conta que o pronto-atendimento pediátrico do hospital, que atende entre 3 e 4 mil crianças por mês, está próximo de sua capacidade máxima. "O nosso objetivo é duplicar o pronto-socorro tanto para adultos quanto para crianças e disponibilizar mais dois consultórios para a pediatria. Mesmo assim, nos preocupa o fato de Curitiba ter tão poucos hospitais completos para atender esse público", conta.

Outra instituição que se prepara para o aumento de pacientes infantis é o Hospital das Nações. Apesar de ser de menor porte – atende cerca de 2 mil crianças por mês – o chefe do serviço de pediatria do hospital, Cláudio José Pinto, garante que tem condições de duplicar o número de atendimentos. "O nosso objetivo, ainda este ano, é criar um ambulatório específico para a pediatria", conta.

O Hospital Evangélico – que atende planos de saúde e SUS – já tem percebido um aumento no número de atendimentos aos convênios no pronto-atendimento. A instituição, que atende em média 1,5 mil crianças por mês, estima receber 50% de casos a mais se o serviço deixar de ser oferecido pelo Nossa Senhora das Graças. "A nossa capacidade máxima de atendimento é de 300 pacientes pediátricos por dia. Estamos preparados para as mudanças", afirma o chefe do serviço de pediatria do hospital, Gilberto Pascolat.

Mas as iniciativas que estão sendo tomadas pelos hospitais da cidade dificilmente serão suficientes para diminuir o tempo de espera de pais e crianças que procuram o pronto-atendimento não só em casos de urgência, mas também para tratar de problemas de saúde menos graves, como resfriados, gripes e dores de barriga. A situação é comum em várias instituições. Mães que não conseguem marcar um horário em um consultório ou clínica acabam recorrendo às unidades de emergência.

Esse é o caso da pedagoga Stela Maris Siqueira Furlan, 38 anos, mãe de Renato, 11, que estava com febre e dor de garganta. "Ele tem um pediatra que o acompanha, mas o médico está de férias, então vim para cá", conta. Stela diz que os meses de verão são tranquilos, mas que no inverno, quando o movimento é maior, a espera chega a duas horas.

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