
R$ 54,9 bilhões. Esse seria o valor necessário para a prefeitura de Curitiba realocar todas as famílias que vivem em pontos suscetíveis a inundações na capital, tanto em áreas de ocupação irregular quanto regular. O valor bilionário, segundo a prefeitura, inviabiliza a promoção de transferências em massa da população que reside nas áreas próximas aos rios. A estimativa leva em conta os custos com reassentamento e desapropriação de 31,1 mil domicílios, onde moram hoje 109,1 mil pessoas população quase equivalente à de Campo Largo, por exemplo, na Região Metropolitana de Curitiba.
O cálculo, presente nos estudos do Plano Diretor de Drenagem de Curitiba, chama a atenção para a ocupação desenfreada das margens de rios ao longo dos anos e a necessidade de investir em obras e projetos de contenção. Pelas estimativas do Plano Diretor, o custo das intervenções necessárias para evitar o alagamento nessas áreas beira R$ 1,4 bilhão metade do prejuízo previsto com possíveis inundações nos próximos 30 anos, caso nenhuma obra seja feita.
De acordo com o levantamento, a maior parte da população atingida se concentra na área da bacia do Rio Barigui, que engloba bairros como Campo Comprido, Cidade Industrial de Curitiba, Santa Felicidade e Tatuquara. Nessa região, as estimativas apontam 15,9 mil domicílios suscetíveis a alagamentos.
Soluções
As alternativas apresentadas no plano priorizam a construção de pequenas bacias de detenção nos locais onde ocorrem os alagamentos. Dessa forma, as famílias que moram próximo às margens seriam "empurradas" para trás e passariam a morar em prédios a serem construídos próximos ao local viviam anteriormente. "Assim, o problema é resolvido com uma intervenção na área onde ele ocorre e as famílias são mantidas no mesmo lugar", resume o engenheiro civil Edu José Franco, da Cobrape, empresa paulista que venceu a licitação para elaborar o Plano de Drenagem.
Para o doutor em Engenharia Urbana e professor do curso de Engenharia Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Carlos Mello Garcias, as intervenções físicas devem se sobrepor a medidas de realocação não só pelo alto custo envolvido na segunda hipótese, mas para preservar as famílias. "Essas pessoas desenvolveram uma cultura de vizinhança que tem de ser respeitada. A ocupação irregular não teria acontecido se uma política de planejamento tivesse aberto uma janela para essas famílias", avalia.
Projeto prevê 4 parques na RMC
Paralelamente à elaboração do Plano Diretor de Drenagem da capital, a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) estuda a criação de quatro parques ambientais, que teriam como objetivo minimizar impactos de enchentes e alagamentos nos municípios vizinhos.
Os recursos para a elaboração dos projetos foram garantidos por meio do Ministério das Cidades, no âmbito da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2). Os estudos preveem a criação de três parques, em Pinhais, Piraquara e São José dos Pinhais, além de uma quarta área intitulada Parque Metropolitano do Iguaçu, abrangendo o território de São José dos Pinhais e Piraquara.
A criação dos parques está prevista no Plano Diretor de Drenagem para a Bacia Hidrográfica do Alto Iguaçu, desenvolvido pela antiga Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). No entanto, a coordenadora de Planejamento da Comec, Maria Luiza Malucelli Araújo, reforça que a efetiva implantação dos parques ainda não tem data para sair do papel os projetos e estudos de concepção vão justamente mostrar as obras e recursos necessários. Só com os projetos em mãos a Comec poderá ir atrás de investimentos, tanto do governo estadual quanto da União.
Outro estudo, que também está passando por licitação, vai traçar as intervenções necessárias e o diagnóstico para a criação de uma área de interesse especial ao longo de 77 quilômetros do Rio Iguaçu, de Pinhais a Balsa Nova.







