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Grazielle gosta de ficar em casa: “O trânsito piorou” | Ivonaldo Alexandre /  Gazeta do Povo
Grazielle gosta de ficar em casa: “O trânsito piorou”| Foto: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo

Programação

Confira as atrações do aniversário de Curitiba

Hoje

• 9 h – Inauguração do Parque Guairacá. Vila Rigoni (Entre as Ruas Carlos Klemtz e Dionira Moletta Klemtz). Entrada franca.

• 9 às 17 h – Justiça nos Bairros. Regional Boqueirão (Av. Marechal Floriano Peixoto, 8430). Entrada franca.

• 10 às 17 h – Festa de aniversário com bolo, atividades culturais e apresentações do grupo de dança Guerreiros e de percussão japonesa Wakaba. Parque Barigui. Entrada franca.

• 18h30 – Camerata Antiqua de Curitiba apresenta Missa Lord Nelson, de Joseph Haydn. Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Praça Tiradentes). Entrada franca.

• 19 às 24 h – Performance de arte digital sobre a Estátua do Homem Nu. Praça 29 de Dezembro. Entrada franca.

• 21 h – Reabertura da Pedreira Paulo Leminski, com show de Roberto Carlos. Rua João Gava, 970. Ingressos a R$ 300.

Domingo

• 9 h – "Passeio Ciclístico Condor". Concentração na frente do Condor da Av. Água Verde, 860 (esquina com a Rua Bento Viana), com saída prevista para às 10 h. O passeio termina no Museu do Automóvel, no Parque Barigui. Participação gratuita.

O cineasta Fernando Severo, de 56 anos, mora em Curitiba desde 1975. Apesar de gostar da vida na metrópole, anda um pouco desencantado com a capital: "Além dos problemas de qualquer cidade de grande porte, como trânsito caótico, aumento de criminalidade, degradação de espaços urbanos e insuficiência de alguns serviços públicos, a mudança que mais me afeta é comportamental. As pessoas vivem mais entocadas e privilegiam a vida social em espaços internos privados, o que explica o vazio noturno das ruas".

INFOGRÁFICO: Confira a percepção dos curitibanos sobre Curitiba

De fato, parece que o curitibano, seja nativo ou assimilado, ainda gosta de morar em Curitiba, mas gosta menos. É o que mostra o levantamento sobre a qualidade de vida em Curitiba, feita pela empresa de pesquisa estratégica Brain. Entre os dias 6 e 13 de março de 2014, 405 moradores da capital foram perguntados sobre a vida na cidade e suas principais qualidades e defeitos. Apenas 11% acham Curitiba muito boa. O número caiu pela metade em comparação com o ano passado, quando 21% deram a melhor resposta sobre a qualidade de vida. Outros 68% acham que morar na cidade é bom, e apenas 2% acham ruim.

Maravilhosa

Entre os termos mais citados para descrever a cidade, "boa", "boa de viver", "bonita" e "maravilhosa" aparecem nos primeiros lugares, mas palavras negativas como "fria", "mediana" e "ruim" começam a incidir sobre os resultados, o que era algo mais raro em comparação com 2013. "Todas as palavras positivas foram utilizadas com menos intensidade do que no ano passado. As pessoas gostam de viver na cidade sem dúvida nenhuma, mas talvez estejam gostando menos do que antes", reitera Fábio Araújo, coordenador da pesquisa. Segundo ele, ainda é preciso verificar se isso é um comportamento contínuo e progressivo ou se é apenas um fenômeno pontual. "Tivemos alguns transtornos no ano passado, por conta de obras da Copa. Isso pode ter atrapalhado os resultados."

Com efeito, houve uma queda significativa na avaliação dos curitibanos sobre o trânsito da cidade, o transporte coletivo e a poluição. O transporte teve a maior queda, de 58% de aprovação em 2013 para 44% em 2014. O nível de poluição da cidade era bom para 50% dos curitibanos no ano passado, mas neste ano apenas 38% não se queixaram dela; e o trânsito agora só é aprovado por 18% da população, contra 28% em 2013. "Essas são áreas que precisam ser observadas. A qualidade de vida de Curitiba é o principal atrativo para famílias de alta renda, e ela pode ser prejudicada por esses fatores", conclui Araújo.

Tirar o cidadão de casa é um desafio

Ficar em casa ou visitar os amigos são apontadas como as principais formas de lazer dos curitibanos, segundo levantamento da Brain. O questionário pediu para que as pessoas dessem notas de um a dez para as atividades favoritas, e a grande preferência, resultado das notas iguais ou acima de 7, apontou ficar em casa como a principal atividade, com 66%, e visitar os amigos com 65%.

Para Marcos Kahtalian, sócio-fundador da Brain, a preferência por ficar em casa indica uma queda na satisfação do curitibano com a qualidade de vida da cidade. "O curitibano não deixa de sair de casa, mas tem preferido cada vez mais os programas caseiros. Isso reforça o mercado de produtos ligados à casa, como venda de tevê à cabo, delivery, pet shops e afins", completa Fábio Araújo.

Adepta dos programas caseiros, a bióloga Grazielle Weiss concorda com essa percepção. "O trânsito piorou muito aqui. Hoje temos engarrafamento às três horas da tarde, coisa que não tínhamos antes. Às vezes, quero ir de bicicleta para algum lugar, mas o trânsito é perigoso e falta ciclovia, e também não vou de carro por causa do trânsito pesado. Aí acabo ficando em casa", conta. Ela aponta também o frio e a falta de tempo e de segurança para fazer os programas fora de casa, principalmente à noite. "Eu e os meus amigos preferimos fazer reuniões caseiras do que ir a restaurantes ou bares. É um pouco perigoso sair à noite também."

O músico Fernando Schubert, baixista do grupo de samba rock Os Milagrosos Decompositores, prefere o aconchego do lar, em parte por causa do frio, em parte pela própria rotina. "Eu saio muito por causa da minha profissão, então quando preciso relaxar, prefiro ficar em casa". Como artista, ele concorda que o curitibano tem uma resistência a sair de casa. "A minha banda tem um certo público, mas é muito difícil que um curitibano saia de casa para ver um show autoral, por exemplo."

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