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Curitiba

De mansão a Museu Paranaense, em 75 anos

Há uma década, o antigo palacete de 30 cômodos é sede de um dos principais museus da capital. Um tour pelo espaço revela seus segredos

  • Diego Antonelli
Construção do imponente casarão, entre os anos 20 e 30 |
Construção do imponente casarão, entre os anos 20 e 30
 
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De mansão a Museu Paranaense, em 75 anos

Ao viajar para a Alemanha na década de 20, Júlio Gar­matter se encantou por uma mansão situada na cidade de Wiesbaden. Era exatamente o que ele buscava para conseguir marcar sua posição na sociedade curitibana. Afinal, o renomado empresário do ramo frigorífico ainda residia em um apartamento em cima de seu açougue.

Garmatter não pestanejou e adquiriu a mesma planta para construir um palácio praticamente idêntico ao da Alemanha em solo curitibano. Naquela época, segundo o arquiteto Humberto Mezzadri, existiam no máximo dez casas daquele porte na capital paranaense. “Ele tinha que marcar sua posição respeitável dentro da sociedade. Foram realizadas algumas adaptações e a casa foi construída”, afirma.

O terreno não poderia ser melhor. A região do Alto São Francisco, no chamado Centro Histórico da capital paranaense, era capaz de dar uma visão ímpar da cidade. “Imagens mais antigas mostram que era possível ver a casa de longe”, completa Mezzadri.

A construção foi executada, entre 1928 e 1929, sob responsabilidade do engenheiro Eduardo Fernando Chaves. Com aproximadamente 30 cômodos, sendo oito quartos, a mansão de Garmatter foi a primeira residência de Curitiba em que a garagem dava acesso direto à entrada da moradia. “Outra novidade para a época foi o uso de concreto armado, que foi usado inclusive no terraço. Esse terraço dava a volta em 360º de toda a casa”, conta o arquiteto.

Aos 51 anos, Garmatter e sua família foram morar no palácio – que tinha dois pavimentos, subsolo e sótão. O estilo da construção espelha o período de transição entre o ecletismo neoclássico e o modernismo. Mezzadri salienta ainda que o espaço contava com duas escadarias. “Uma era a principal para o uso dos proprietários e outra secundária para os empregados”.

Por dentro

No térreo situavam-se as salas, cozinha, copas e diversos banheiros. O piso superior era destinado basicamente aos dormitórios dos Garmatter. Os empregados dormiam no sótão. E o porão, destinado ao mantimento de produtos de limpeza e alimentos.

A mansão chamou tanto a atenção da sociedade que o então interventor do estado, Manoel Ribas, insistiu para que Garmatter vendesse a propriedade ao governo estadual. Em 1938, a mansão passou a funcionar como sede do governo estadual e ficou conhecido como Palácio São Francisco. Segundo o diretor do Museu Paranaense, Renato Carneiro, até então a sede do Poder Executivo situava-se na Rua Rio Branco. “A ideia era tirar a sede do governo do centro da cidade”, conta.

O Palácio São Francisco serviu aos interventores Manoel Ribas, Clotário Portugal, Brasil Pinheiro Machado, João Candido Ferreira Filho, coronel Mario Gomes da Silva, Antonio de Carvalho Chaves e aos governadores Moysés Lupion e Bento Munhoz da Rocha Neto. O governo permaneceu no espaço até 1953, quando o Executivo ganhou sede no Centro Cívico.

No início da década de 60, o prédio passou a servir ao Tribunal Regional Eleitoral, onde ficou até o final dos anos 80. Foi nesse período que foi construído um bloco anexo à construção. “Devido à sua importância para a história, o bem foi tombado pelo Patrimônio Cultural do estado em 1987”, relata Carneiro.

Caminhar pelo museu é como reviver o passado

Entrar pela porta principal do Museu Paranaense é como dar um passo para o passado. As paredes e o teto com traços da pintura original são suficientes para saber que não se trata de uma construção atual. Cada um dos quase 30 ambientes possui cores diferentes, com pinturas ao redor – geralmente flores – que por si só já proporcionam uma sensação de nostalgia.

Conforme o diretor do Museu, Renato Carneiro, foi mantido em todos os cômodos pelo menos um pedaço da cor e da primeira pintura que a construção recebeu. Passados 84 anos de sua edificação, o primeiro pavimento – onde estavam alocados sala, escritório e cozinha – guarda lembranças dos tempos de Júlio Garmatter.

Onde provavelmente funcionava a sala principal, impera uma lareira com detalhes em mármore. Próximo dela, um elevador de cargas usado para o transporte de comida nos tempos de Garmatter hoje carrega parte do acervo do Museu. “O elevador continua funcionando”, comprova Carneiro, chamando o elevador para o primeiro piso.

Dezenas de passos depois, o chão de madeira nobre dá vez a cerâmicas – a exposição de numismática está alojada onde era a copa e cozinha da mansão. Na parede, ainda há espaço para guardar a esponja ou o sabão.

Ao subir para o piso superior, a imponente escada leva para onde Garmatter e a esposa repousavam. Ainda está intacto um banheiro da época, com tudo que se tinha direito: banheira, bidê, vaso sanitário, pia, lava-pés e banheira. “Não tinha chuveiro”, observa Carneiro.

Uma escada íngreme nos leva ao sótão. Era ali que provavelmente os serviçais dormiam. A cabeça quase encosta no teto. O espaço, relativamente apertado se comparado ao restante da casa, é recompensado pelo terraço, que dá uma volta completa no palácio e fornece uma visão de boa parte do centro da capital paranaense. “Era daqui que Garmatter conseguia enxergar o seu açougue na Rua Saldanha Marinho”, comenta Carneiro.

LocalizaçãoO Museu Paranaense está localizado na Rua Kellers, 289, no Alto São Francisco, em Curitiba.

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