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Deputado estadual de São Paulo Frederico d’Avila (PSL)
Deputado Frederico d’Avila pediu desculpas pelas críticas feitas à Igreja Católica e ao papa Francisco| Foto: Agência Alesp

O deputado estadual de São Paulo Frederico d'Avila (PSL) divulgou uma carta aberta em que pediu desculpas pelas críticas feitas à Igreja Católica e ao papa Francisco em um pronunciamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 14 de outubro, o parlamentar chamou o papa Francisco, o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e a CNBB de "vagabundos e imundos". Além dele, o presidente da Alesp, Carlão Pignatari (PSDB), também se desculpou em razão das palavras proferidas pelo colega parlamentar.

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O discurso d'Avila foi feito depois que dom Brandes criticou a política armamentista do governo Bolsonaro em uma das missas do dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, no Santuário Nacional de Aparecida. "Vamos abraçar nossos pobres e abraçamos também nossas autoridades, para que juntos construamos então um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada, não pode ser pátria armada", afirmou o arcebispo durante a homilia.

Mas o tom das críticas motivou uma reação da CNBB. A entidade divulgou carta aberta no domingo (17) em que rebateu as críticas feitas pelo deputado estadual ao papa e e arcebispo de Aparecida. A carta também foi encaminhada ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Carlão Pignatari (PSDB).

Depois da repercussão do caso, o deputado ressaltou a importância da Igreja Católica na carta aberta, reconheceu que cometeu excessos em seu pronunciamento, disse que não deveria ter incluído o papa Francisco em suas críticas e pediu desculpas a todos os católicos.

“Não poderia deixar de começar esta carta pedindo desculpas pelo excesso cometido quando do meu pronunciamento na tribuna no dia 14 de outubro, inflamado por problemas havidos [sic] nos dias anteriores [...] Deixo claro que acredito na fundamental importância da Igreja Católica e na inabalável fé cristã como um dos pilares da nossa sociedade [...] Meu pronunciamento, que admito ter sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento, se deu em resposta a alguns líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político. Reitero que desculpo-me pelas palavras e exagero [...] Não tive a intenção de desrespeitar o Papa Francisco, como sacrossanto e líder religioso e de Estado, minha fala foi no sentido de divergir sobre ideias e posicionamentos, tão só. Inserir o Papa em minha fala foi um erro, pelo qual humildemente peço desculpas a todos os católicos do Brasil e do mundo, pois não considerei a figura espiritual que ele representa [...]”, disse o deputado, em trechos selecionados do texto. Leia a carta aberta na íntegra no fim da reportagem.

No texto, d'Avila também criticou o arcebispo de Aparecida por se manifestar contra a política armamentista do governo federal e destacou que Bolsonaro chegou à Presidência da República após receber os votos da maioria do eleitorado brasileiro em 2018.

“[...] Lembro, no entanto, que o mesmo clérigo que fez críticas à política armamentista do Presidente, disse outrora que a “Direita é Injusta e Violenta”, frase esta que ofendeu a mim e muitas outras pessoas. Portanto a minha manifestação tratou-se, pois, de uma reação a injustas agressões contra o Presidente da República e os 57.000.000 de brasileiros que o elegeram [...]”, afirmou.

Presidente da Alesp também pede desculpas por pronunciamento de d’Ávila

Na sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) de segunda-feira (18), o presidente da Casa, Carlão Pignatari (PSDB), também pediu desculpas ao papa Francisco, a dom Orlando Brandes e à CNBB pelas palavras proferidas por d’Ávila. Pignatari criticou o excesso do colega parlamentar no uso da liberdade de expressão e pediu respeito às divergências de opinião que existem em uma democracia.

“A palavra não é arma para destruição. Ela é um dom. É construção. Todo deputado estadual tem o dever de representar o povo, ouvir as pessoas e fazer valer seu compromisso com São Paulo. Mas vir à tribuna, lugar mais importante desta assembleia, para proferir ofensas é algo que não pode ser aceito. Em nome do parlamento paulista, é nosso dever o reestabelecimento do respeito, antes de tudo, à democracia. Peço desculpas também a todos que se sentiram ofendidos pelas palavras que não representam a opinião da Assembleia Legislativa de São Paulo. Acredito que o parlamentar também reconheça seu excesso e o espaço permanece livre para eventual retratação”, disse o presidente da Alesp. Confira o pronunciamento de Pignatari na íntegra abaixo.

Carta aberta de d´Avila

Carta Aberta do Deputado Frederico d´Avila

Não poderia deixar de começar esta carta pedindo desculpas pelo excesso cometido quando do meu pronunciamento na tribuna no dia 14 de outubro, inflamado por problemas havidos nos dias anteriores.

No dia 12 de outubro, por pouco, fui vítima de homicídio por um assaltante em frente à minha esposa e filhos na cidade de São Paulo, no mesmo dia tomei conhecimento do discurso desnecessário do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, referente à política contra o armamento das pessoas de bem, ato continuo houve a invasão da APROSOJA de Brasília pelo MST e Via Campesina, instituição que fui vice-presidente por 3 anos, tais fatos me geraram grande inconformismo.

No dia 16 de outubro, Dom Vicente Ferreira, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, membro da CNBB, se manifestou em seu Twitter chamando o MST para a luta, invocando Pátria Livre e que para vencer o primeiro passo seria o “#FORABOLSONARO”.

Deixo claro que acredito na fundamental importância da Igreja Católica e na inabalável fé cristã como um dos pilares da nossa sociedade.

Coloquei-me, permanentemente, em favor das posições da Igreja Católica na tribuna da ALESP e em todas as votações havidas, em especial as que colocaram a vida em pauta.

Meu pronunciamento, que admito ter sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento, se deu em resposta a alguns líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político. Reitero que desculpo-me pelas palavras e exagero.

Lembro, no entanto, que o mesmo clérigo que fez críticas à política armamentista do Presidente, disse outrora que a “Direita é Injusta e Violenta”, frase esta que ofendeu a mim e muitas outras pessoas.

Portanto a minha manifestação tratou-se, pois, de uma reação a injustas agressões contra o Presidente da República e os 57.000.000 de brasileiros que o elegeram.

Não tive a intenção de desrespeitar o Papa Francisco, como sacrossanto e líder religioso e de Estado, minha fala foi no sentido de divergir sobre ideias e posicionamentos, tão só.

Inserir o Papa em minha fala foi um erro, pelo qual humildemente peço desculpas a todos os católicos do Brasil e do mundo, pois não considerei a figura espiritual que ele representa.

Por fim, cito o versículo onde Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete. Mateus 18:21-22."

Pronunciamento de Pignatari na Alesp

''Não há como abrir esta sessão de hoje de maneira diferente: Em nome de todo o parlamento paulista, como presidente desta Casa, repudio todo e qualquer uso da palavra que vá além da crítica e que se constitua em ataques, extrapolando os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar, concedida aos representantes públicos eleitos.

Aliás, todo excesso no uso da liberdade de expressão acaba por agredir este mesmo direito, pilar fundamental da democracia, que é consagrada como bem maior da sociedade brasileira.

Para o político, o dom da palavra é um direito inalienável. Mas que encontra limites no respeito pessoal e da própria lei. Não comporta, portanto, a irresponsabilidade e o crime.

Da tribuna fala o povo, que por cultura da sociedade brasileira, comunga da união e do amor ao próximo, independentemente do seu credo. A tribuna é ponto de convergência, permitindo opiniões contrárias, mas jamais a pregação do ódio.

Em nome do Parlamento paulista, eu rogo um pedido expresso de desculpas ao Papa Francisco e a dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, a quem empregamos nossa mais incondicional solidariedade.

A palavra não é arma para destruição. Ela é um dom. É construção. Todo deputado estadual tem o dever de representar o povo, ouvir as pessoas e fazer valer seu compromisso com São Paulo.

Mas vir à tribuna, lugar mais importante desta assembleia, para proferir ofensas é algo que não pode ser aceito. Em nome do parlamento paulista, é nosso dever o reestabelecimento do respeito, antes de tudo, à democracia.

Peço desculpas também a todos que se sentiram ofendidos pelas palavras que não representam a opinião da Assembleia Legislativa de São Paulo. Acredito que o parlamentar também reconheça seu excesso e o espaço permanece livre para eventual retratação.

Mais uma vez, digo que o nosso compromisso é com a verdade, com o cidadão, com o respeito e com a coerência. E como presidente desta Casa, faço um apelo para que os extremos entendam, de uma vez por todas, que a divergência legitima a democracia. Mas não justificam a barbárie.''

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