
Curitiba viveu ontem um dia de protestos, com uma série de manifestações que tomaram conta de praças e ruas na região central. A maior foi promovida por servidores municipais que entraram em greve por discordar da proposta de reajuste salarial da prefeitura. Uma passeata reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, segundo estimativa da Diretoria de Trânsito da capital (Diretran). Os grevistas saíram, no fim da manhã, da Praça Santos Andrade em direção à sede da prefeitura, no Centro Cívico. Segundo a categoria, o movimento será mantido por tempo indeterminado, já que não houve acordo na reunião realizada no fim da tarde com secretários municipais (leia matéria na página 5).
Por causa da greve foram registradas 578 ausências em colégios e postos de saúde em um universo de 32 mil servidores. O setor mais prejudicado foi a educação. Das 174 escolas municipais, 12 (6,89%) permaneceram com as portas fechadas. Pelos cálculos da prefeitura, 6 mil crianças dos 115 mil estudantes da rede municipal ficaram sem aulas. No setor de saúde, cinco das 133 unidades de saúde funcionaram com efetivo reduzido. Contudo, o atendimento não chegou a ser prejudicado, segundo a prefeitura. Foram registrados apenas atrasos curtos em consultas médicas.
Passeatas
As imediações da Santos Andrade foram palco ainda para reivindicações de estudantes de enfermagem da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que lutam por melhores condições de ensino, e para um grupo que luta contra a intolerância, preconceito, racismo, homofobia, nazismo e fascismo. Um grupo de cerca de 300 pessoas vestidas de preto e com o rosto coberto por lenços pretos caminhava pela Rua XV. "Este é um simbolismo pelas vítimas anônimas que não têm vez e voz em toda a sociedade", afirmou um dos participantes, que não quis se identificar. No último dia 23, um estudante de Ciências Sociais da UFPR foi espancado por um grupo de rapazes de cabelos raspados, vestindo suspensórios e calçando coturnos características dos integrantes de grupos skinheads neonazistas.
Os manifestantes seguiram até o Ministério Público Federal (MPF) para pedir que a ação de skinheads seja investigada em Curitiba pela Polícia Federal. Segundo o procurador-geral do MPF no Paraná, João Gualberto Garcez Ramos, um dos indícios que pode fazer com que a investigação fique na esfera federal é a possibilidade de ligação entre grupos neonazistas de Curitiba com de outros estados e até mesmo do exterior na distribuição de propaganda e material de cunho preconceituoso.
Motociclistas
Ainda de manhã, perto de 50 motociclistas bloquearam por uma hora o cruzamento das avenidas Marechal Deodoro e Marechal Floriano Peixoto para criticar o projeto de lei que restringe o trânsito de motos entre os veículos e o cadastramento que os motoboys serão obrigados a fazer em Curitiba.
Com o trânsito parado por uma hora, algumas pessoas saíram dos carros e resolveram seguir seu caminho a pé. Um veículo que tentou furar o bloqueio à força foi amassado e teve vidros quebrados pelos manifestantes.
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Interatividade
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