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Dois anos de abandono na gruta do monge

Recursos para revitalização da atração turística da Lapa foram liberados em outubro, mas governo do estado ainda não tem previsão para iniciar as obras

  • Carolina Gabardo Belo, especial para a Gazeta do Povo
O visitante que for ao Parque do Monge precisará de autorização do  fiscal do IAP para conhecer o local: acesso restrito |
O visitante que for ao Parque do Monge precisará de autorização do fiscal do IAP para conhecer o local: acesso restrito
 
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Mais de dois anos depois de ser fechado para obras de revitalização, o Parque Estadual do Monge, na Lapa, continua abandonado pelo governo do estado e com seu acesso restrito. O Instituto Ambien­tal do Paraná (IAP), órgão da Secre­taria de Estado do Meio Ambiente responsável pelo projeto, não sabe quando as obras terão início nem quanto tempo será necessário – apesar de os recursos para o empreendimento terem sido liberados em outubro do ano passado. O parque, onde fica a gruta em que o monge João Maria D’Agos­tinis se refugiu no século 19, atrai romeiros de todo o Brasil.

A revitalização foi anunciada em janeiro de 2009, pelo então governador Roberto Re­­quião. O parque foi fechado em seguida e a previsão era entregar o espaço revitalizado em fevereiro de 2010, mas só em outubro o recurso foi liberado pelo então governador Orlando Pessuti. A previsão de conclusão das obras, que deverão consumir R$ 2,5 milhões, foi mais uma vez adiada – passou para abril de 2011. Mas novamente o cronograma será descumprido.

Segundo a assessoria do IAP, as obras só terão início depois que espécies de plantas exóticas forem retiradas dos 89 hectares do parque e que a área for limpa. A expectativa é que até o fim de março a retirada seja concluída, mas não há estimativa de quanto tempo durará o trabalho de limpeza.

Abandono

Sem nenhum trabalho em andamento ou equipamentos para re­­ceber visitantes, o aspecto do parque é de abandono. Dois contêineres, que pertenceriam à em­­presa responsável pelas obras, fo­­ram deixados trancados na área. As estruturas das churrasqueiras e do mirante foram desmontadas e restam só bancos e mesas de madeirasentre o mato, que já está alto. A vegetação toma conta do que já foi um campo de futebol e que ainda mantém as traves enferrujadas. As escadarias da trilha que dá acesso à gruta está escorregadia e o corrimão foi tomado pela ferrugem. Próximo ao Miran­te do Cristo encontram-se garrafas quebradas. A estrada que leva ao parque está esburacada e o portal, bem como o início da trilha, estão interditados com faixas de sinalização.

Dois fiscais do IAP ficam no local para orientar os turistas. Em casos especiais, quando o visitante vem de cidades distantes por motivos religiosos, um dos fiscais permite a entrada e acompanha o turista até a área de orações.

Descrédito

A assessoria do IAP informou que as árvores de pinus e eucalipto estão sendo retiradas, mas moradores da região dizem que a ação foi feita nos últimos dois anos e terminou em dezembro. Desde então, as obras estariam paradas. Entre a população, o sentimento é de revolta e descrédito. “Acho difícil reabrirem o parque. Ninguém sabe como está o andamento [das obras]”, afirma o pedreiro Arilton de Oliveira, 44 anos. Moradora da região há 40 anos anos, a aposentada Rose Meyer, 64, torce para que o parque volte a abrigar a área de lazer. “Espero que volte a ser um espaço bonito. Todo mundo que vem para a Lapa gosta de ar livre e agora não tem mais o parque.”

Para a comerciante Fátima Sil­va, 56 anos, o fechamento do parque não representou a perda do úni­co espaço de lazer da cidade: a medida interferiu diretamente no faturamento da mercearia que mantém no início da estrada que dá acesso ao local. Segundo ela, o movimento caiu em mais da metade. “Tiraram a única coisa que tí­­nhamos na cidade. Nos fins de se­­mana chegavam a passar por aqui mais de 50 ônibus com turistas, sem contar os ônibus escolares que vinham durante a semana. Que­remos fazer um abaixo-assinado.”

O projeto de revitalização prevê a recuperação dos ambientes do parque, construção de um centro para visitantes, ampliação das estruturas de lazer e reestruturação dos equipamentos, como a trilha que dá acesso à gruta e às escadarias. A reportagem procurou um representante do IAP para obter informações sobre o cronograma de trabalho, mas a assessoria de imprensa do órgão não deu retorno até o fechamento desta edição.

A principal atração do parque é a gruta em que o monge João Maria D’Agostinis passou a viver em meados de 1847. Ele era um estudioso das plantas da região. Até hoje não se sabe se João Maria morreu em Santa Catarina ou no interior de São Paulo. Depois disso, o local passou a ser um destino de romeiros. O parque tem grandes formações rochosas, trilhas ecológicas e vertentes de água.

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