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Entrar de loja em loja no bairro Fazendinha, em Curitiba, é ouvir histórias de medo, tensão e pânico. A insegurança é o sentimento corrente entre os comerciantes. Eles são alvo freqüente de ladrões. E a impotência diante da situação gera revolta. Segundo reportagem de Sérgio Luis de Deus desta segunda-feira, poucos acreditam na eficiência da polícia e muitos defendem o armamento como o único recurso possível para tentar frear a ousadia dos criminosos.

"Vivemos em estado de terror permanente. Nunca sabemos se quem entra na loja é um ladrão ou um cliente", afirma o presidente da Associação Comercial da Fazendinha, Alceu Jubanski. Na sexta-feira passada, a Gazeta do Povo mostrou a situação do feirão de carros usados conhecido como "Pedra", que, segundo moradores e a polícia, é um foco de criminalidade na Fazendinha.

Como de praxe, a Polícia Militar não divulga o número de ocorrências atendidas no bairro. Alega que esse é um dado sigiloso. Mas não é preciso a versão oficial para perceber a gravidade da situação. A melhor estatística é o boca-a-boca.

ResignaçãoHá 20 dias, uma farmácia na Rua Raul Pompéia, que abriga o centro comercial da região, foi assaltada por volta das 19 horas. Um homem armado entrou na loja, apontou o revólver para o farmacêutico Silvio Luiz Cantóia e nem ao menos se preocupou em esconder o rosto. Cantóia deu todo o dinheiro que tinha no caixa, algumas moedas e cartões telefônicos. Depois, resignado, viu o ladrão ir embora calmamente como se nada tivesse ocorrido. "Toda a ação durou um minuto", diz.

Nada fora do normal para um bairro como a Fazendinha não fosse o 18.° roubo sofrido pelo comerciante em sete anos. "Já fui assaltado de tudo quanto é jeito. Sofri agressão, me deitaram no chão, colocaram a arma na minha nuca, fui ameaçado de morte...", diz Cantóia, como se fizesse uma lista de compras para o mercado. A experiência, claro, é traumática. "Na hora você nem raciocina direito. Já virou uma coisa meio mecânica. Eu entrego o dinheiro e fico quieto. Depois que eles vão embora é que você sente aquele susto", relata.

Agressão físicaHá quatro anos, num feriado de 12 de outubro (Padroeira do Brasil), a violência foi a marca de um assalto na farmácia. "Quatro homens chegaram de bicicleta e começaram a bater em todo mundo. Teve um dos nossos balconistas que foi espancado para valer. Bem na hora chegou um cliente. Eles pegaram o dinheiro e fugiram no carro dele", recorda. O mais impressionante é que ninguém foi preso. "Cheguei a fazer uns seis boletins de ocorrência, mas desisti. Para ser sincero, eu não acredito na polícia. Já fui maltratado em delegacia e alvo de piadinhas de policiais. Nunca vi um pessoal tão despreparado", desabafa. A saída foi apelar para um segurança particular. Mas nem isso tem surtido muito efeito. "Ele vem em horários diferentes para confundir os ladrões, mas não adianta. A bandidagem fica observando e sabe quando agir". Câmeras na farmácia é algo fora de cogitação. "Depois eles ainda vão quebrar tudo para pegar a fita. Não adianta", afirma. Embora ciente do risco que corre, Candóia diz que não tem opção. "Se pudesse ir embora eu iria, mas não posso. Tenho mulher e filho para tratar". E até quando isso irá durar? "Até o dia que algum bandido venha e aconteça o pior", lamenta.

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