Um dado divulgado pela pesquisa do Ipea mostra que os homens não gostam muito de ajudar nas tarefas domésticas. Apenas 51,4% responderam que executam afazeres do lar, como lavar a louça e cuidar dos filhos. Já o porcentual feminino é quase o dobro: 90% das entrevistadas disseram fazer atividades domésticas. As mulheres também passam mais tempo se dedicando à casa, 25 horas semanais, enquanto os homens gastam 10 horas. "Também deve se levar em conta que a maior parte das mulheres não computou o tempo gasto com os filhos, senão este número seria ainda maior", afirma Natália Fontoura, uma das responsáveis pelo estudo.
Iete Corrêa, 34 anos, é uma exceção. Ele decidiu sair do emprego para tentar abrir o próprio negócio. Enquanto a oportunidade não chega, fez uma acordo com a esposa, Márcia Kalinoski. Ela continuou empregada e ele assumiu as atividades do lar. Iete cuida dos dois filhos do casal, leva-os para escola, faz almoço, jantar e coloca a roupa para lavar. "Já foi o tempo em que a mulher fazia tudo sozinha dentro de casa. Pelo menos para mim". Ele afirma que mesmo quando ambos estavam empregados, dividiam as tarefas. "Cada um fazia um pouco. Enquanto eu lavava, ela cozinhava".
Maria Coleta de Oliveira, do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, afirma que os homens podem até ter o discurso de que devem ajudar, mas na prática não é bem assim. "Há um viés patriarcal na sociedade brasileira. Pelo menos no ponto de vista das idéias há uma revisão crítica em relação ao machismo. Mas é uma luta difícil". Gláucia dos Santos Marcondes, também da Unicamp, diz que em suas pesquisas descobriu que os homens gostam de fazer atividades prazerosas, como uma comida diferente ou dar mamadeira para os bebês, porém não gostam de trocar fraldas, por exemplo. "A divisão de tarefas ainda é o calcanhar de Aquiles dos casais, pois elas têm jornada tripla em alguns casos", diz Gláucia.



