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Sociedade

Quatro anos sem folga para sustentar o lar

Casada há quase 20 anos, Benedita é a referência da família. Há quatro anos, quando o marido teve problemas de saúde, assumiu também o papel de manter a casa | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Casada há quase 20 anos, Benedita é a referência da família. Há quatro anos, quando o marido teve problemas de saúde, assumiu também o papel de manter a casa (Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo)

A pesquisa do Ipea indica que o número de mulheres chefiando famílias compostas por casais e filhos cresceu na última década, mas essa é uma realidade antiga na vida de Benedita Donizete Magalhães Proença, 44 anos. Ela é casada há quase 20 anos e sempre foi a pessoa de referência familiar, tanto para o marido quanto para a filha, Daniela, de 17 anos. Contudo, nos últimos anos ela assumiu também o papel de manter a família. O marido passou por uma crise de saúde e teve de abandonar o emprego. Por quatro anos, Benê, como é mais conhecida, sustentou a casa com seu salário de empregada doméstica. Entre as contas para pagar estavam um terreno e a construção da primeira casa própria, no bairro Tatuquara. Além disso, também compunham a lista água, luz, gás, alimentação e remédios, tudo pago com cerca de R$ 500, ganhos com o trabalho de segunda a domingo.

Atualmente o marido passou a receber aposentadoria por invalidez do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ajuda a pagar o terreno e a casa. Mas as despesas da família ainda são por conta de Benedita. "Não foi fácil manter tudo sozinha. Passei quatro anos sem comprar roupas, por exemplo, e sem poder descansar nos fins de semana". Daqui para frente ela afirma que vai dedicar mais tempo para o lazer. O consumo da família também melhorou. Estão na lista da chefe da casa carnes, sabão em pó, pizza e guloseimas para a filha, produtos que nunca entravam no carrinho.

A arquiteta Liana Zilber tem uma realidade diferente de Benedita, porém também é a chefe da família. "O fundamental foi me organizar. Temos que exercer muitas funções diferentes e com competência", diz. Ela ajuda o filho mais velho, que mora em outra casa, e também auxilia uma filha que mora com ela e faz pós-graduação. "O maior gasto hoje é com meus filhos e depois com mantimentos para casa. Mas ter uma profissão me dá a segurança de que nunca vou depender de ninguém." Atualmente ela é noiva e divide as contas com o companheiro, mas afirma que os gastos com a casa e com os filhos são por conta dela.

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