Preso desde a última terça-feira (21) durante a Operação Quadro Negro, o ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação (Seed) Maurício Fanini negou ter feito um esquema para permitir pagamentos de faturas à empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais correspondentes a serviços não executados. Ele foi ouvido nesta quarta-feira (22) pelo delegado Renato Figueiroa, coordenador do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), responsável pela investigação em torno de irregularidades em contratos da Seed.

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Nesta primeira fase da Operação Quadro Negro, o Nurce mira dez contratos entre a Seed e a Valor Construtora, firmados entre 2011 e 2014. Faturas foram pagas à empresa nas dez obras – de construção ou de reforma de escolas em oito municípios – a partir de falsas medições sobre a evolução dos serviços. O caso mais emblemático está em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, onde a construção de duas escolas “mal saiu do papel”, embora a empresa já tenha recebido cerca de R$ 9 milhões pelas obras.

De acordo com o advogado de Fanini, Gustavo Scandelari, seu cliente não se recusou a responder nenhuma das questões durante quase uma hora e meia de oitiva. “Foi tranquilo. Ele respondeu tudo. Negou todas as suspeitas”, disse o advogado. Segundo ele, também foram feitas acareações. Até sábado, quando o prazo de prisão temporária chega ao fim, há possibilidade de novas acareações. Por ter curso superior, Fanini está preso no Complexo Médico-Penal do Paraná, em Pinhais.

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O advogado de defesa informou ainda que seu cliente negou ter orientado fiscais a fazer falsas medições. “Ele disse que nunca determinou isso”, afirmou Scandelari. Em depoimentos ao Nurce, fiscais disseram atestar a evolução das obras da Valor Construtora sem ir até o local, por orientação de Fanini, então diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Seed.

Outras oitivas

Nesta quinta-feira (23), estavam previstas as oitivas de outros dois presos, Eduardo Lopes de Souza, apontado pelo Nurce como o verdadeiro dono da Valor Construtora, e Viviane Lopes de Souza, irmã de Eduardo e engenheira civil da empresa. Além de Fanini e os dois irmãos, foram presos também na terça-feira Tatiane de Souza e Vanessa Domingues de Oliveira, consideradas laranjas de Eduardo.

Conforme antecipou reportagem da Gazeta do Povo, Vanessa Domingues de Oliveira hoje consta como única sócia-proprietária da Valor Construtora, mas foi o irmão de Eduardo, Rogério Lopes de Souza, quem abriu a empresa, em 2010. Além disso, era Eduardo quem constantemente visitava Fanini em seu gabinete na Seed. Fanini foi diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos entre 2011 e 2014. No começo do ano, ele foi designado para comandar a Fundepar, autarquia criada no final do ano passado para cuidar de todas as obras da Seed, e acabou exonerado no início do mês passado, quando o caso veio à tona.

Questionado em sua oitiva sobre as visitas frequentes de Eduardo na Seed, o advogado de Fanini disse que seu cliente informou receber “vários empresários em função de atrasos em pagamentos”. “Ele disse que o Eduardo era só mais um empresário”, resumiu Scandelari. Conforme revelou reportagem da Gazeta do Povo, servidores da Seed reclamaram da presença constante do empresário na sala de Fanini, sem registro oficial.

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Na oitiva, Fanini também negou ter recebido propina da empresa para agilizar os pagamentos, conforme denúncia que chegou ao Ministério Público do Estado no final do ano passado.

Defesa

De acordo com o advogado Claudio Dalledone Junior, Eduardo e Viviane negam irregularidades. Embora antes da Operação Quadro Negro a direção da Valor Construtora tenha indicado Dalledone como contato para a imprensa, nesta quarta-feira (22) ele informou à reportagem que atende apenas Eduardo e Viviane e não faz a defesa de Vanessa e de Tatiane, atual sócia-proprietária da Valor Construtora e ex-sócia da empresa, respectivamente. Segundo Dalledone, Eduardo e Viviane são apenas funcionários da empresa.

A reportagem não conseguiu saber quem são os advogados de defesa de Vanessa e Tatiane.

Outros contratos

Levantamento realizado pela reportagem da Gazeta do Povo revelou que a Valor Construtora tem pelo menos 12 contratos em vigor com o governo do Estado. Além das dez obras ligadas à pasta da Educação, a empresa ficou responsável pela revitalização do parque estadual do Monge, na Lapa, e a ampliação da Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara. Os dois contratos, firmados com a Paraná Edificações, somam quase R$ 9 milhões. A Paraná Edificações é ligada à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística.