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Educação

Engajamento com os “anjos”

Projeto de gestão de escola estadual envolve alunos e ajuda a superar falta de estrutura e de verbas

  • Maria Gizele da Silva, da sucursal de Ponta Grossa
Na Escola Estadual Luís Vieira, em Telêmaco Borba, 66 alunos são responsáveis por ficar de olho na escola e nos colegas: solução simples e barata para integrar os estudantes ao processo de aprendizado e diminuir o número de brigas |
Na Escola Estadual Luís Vieira, em Telêmaco Borba, 66 alunos são responsáveis por ficar de olho na escola e nos colegas: solução simples e barata para integrar os estudantes ao processo de aprendizado e diminuir o número de brigas
 
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Engajamento com os “anjos”

Telêmaco Borba - Uma escola da periferia de Telêmaco Borba, nos Campos Gerais, encontrou uma solução simples e barata para integrar os alunos ao processo de aprendizado. A coordenação pedagógica e a direção criaram o projeto Anjos da Escola, que envolve 66 dos cerca de 700 estudantes do ensino fundamental. A função dos “anjos” é cuidar dos livros didáticos, do prédio escolar e também dos outros alunos. O índice de briga entre estudantes caiu, a taxa de aprovação aumentou e a escola não sofre mais com o vandalismo. Embora a administração escolar seja um desafio, especialistas revelam que implementar boas práticas pode ser um diferencial no aprendizado.

O projeto Anjos da Escola foi instituído ano passado na Escola Estadual Luís Vieira no bairro São João. O local está entre os mais violentos de Telêmaco Borba. A cidade ficou em 14.º lugar no estado no Mapa da Violência 2011 (estudo do Minis­­tério da Justiça e do Instituto Sangari, que aponta a criminalidade por município brasileiro). A diretora, Maria da Graça Marson Sella, diz que o projeto refletiu muito positivamente tanto dentro da escola quanto na comunidade. “Fica­­mos com os portões abertos durante o dia, então havia até mesmo roubo de merenda”, diz ela, assinalando que hoje há harmonia entre a instituição e a população do entorno.

Como funciona

Para se tornar um “anjo” da escola, o processo acontece como em uma eleição. Alunos de quinta a oitava séries do ensino fundamental são votados pelos colegas de turma para integrarem o projeto. Uma escala feita pela coordenação pedagógica aponta qual área da escola deve ser cuidada pelo “anjo” durante a semana: o pátio, a quadra, o refeitório, as salas e os livros. O mandato tem a duração do ano letivo. Denise Vieira, 11 anos, é um deles. “Aprendi um exemplo de vida, eu passei a ter mais responsabilidade e respeito com os outros”, diz.

Gabriel Lima de Carvalho, 13 anos, diz que já separou briga de alunos e aposta que os colegas entendem sua função. “Quando vejo os alunos fazendo coisa errada eu peço para eles pararem e eles param. Se não, eu aviso a direção”, comenta. A coordenadora pedagógica, Maria Jacira Costa Taborda, acredita que o projeto, somado a outras iniciativas da escola, melhorou a auto-estima dos alunos. A escola ainda não participou da avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), mas a direção acrescenta que a taxa de aprovação aumentou de 73% em 2008 para 81% em 2010.

Planejamento

A diretora-executiva da Fun­­dação Victor Civita, de São Paulo, Angela Cristina Dnne­­mann, comenta que a finalidade da gestão escolar deve ser o aprendizado do aluno e que o meio para isso é o planejamento. “Planejar não requer grandes somas em dinheiro, é a atividade mais barata entre todas. Por esse motivo, os gestores devem olhar para a rede, planejar suas ações, monitorar os resultados, tomar novos rumos se for preciso, mas sempre com o objetivo focado 100% no aprendizado do aluno”, diz.

Para a gerente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, é preciso qualificar melhor os gestores. “A boa direção não é fruto do acaso. Um diretor de escola não pode ser resultado de uma indicação política, deve-se usar critérios técnicos que indiquem as competências de quem estará no comando da gestão”, considera, lembrando que a gestão escolar é feita por uma equipe que vai do secretário municipal ou estadual de educação até o diretor, o coordenador pedagógico e o supervisor escolar.

Governo fomenta ações positivas

O Ministério da Educação (MEC) incentiva, desde 2006, a administração escolar democrática. A diretora de Apoio à Gestão Educacional da Secretaria de Educação Básica do ministério, Maria Luíza Martins Alécio, afirma que o desafio é fazer o diretor de escola pública ser mais que um mero administrador. Ele deve ser um articulador. “Ele deve articular as políticas administrativas, pedagógicas e de recursos humanos da escola, sempre aberto à comunidade e respeitando a cultura e a identidade do local”, afirma.

Para que isso aconteça, segundo Maria Luíza, o MEC delega aos gestores escolares a escolha dos livros didáticos e desenvolve iniciativas como o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que neste ano tem orçamento previsto de R$ 1,5 bilhão para toda a educação básica. O recurso tem caráter suplementar. Maria Luíza cita ainda outras ações, como a parceria do MEC com 37 universidades públicas para a implantação do Progra­­ma Nacional de Escolas de Gesto­­res, e a criação da pós-graduação em Coordenação Pedagógica em nove universidades do país voltada a diretores e pedagogos.

A Secretaria Estadual da Edu­­cação do Paraná informou que também desenvolve ações similares, como o curso para gestores, a criação do setor de assessoria aos diretores dentro da estrutura da Secretaria e o fortalecimento da coordenação de gestão escolar.

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