Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
“Quebras de acordo”

Erika Hilton denuncia ter menos estrutura que Manuela no PSOL: “privilégio branco e cis”

A deputada Erika Hilton cobra cumprimento de acordos pelo PSOL. (Foto: André Borges / EFE)

Ouça este conteúdo

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) fez queixas públicas ao próprio partido. Dizendo-se “chocada e decepcionada”, a parlamentar reclamou do descumprimento de acordos, em especial de ser menos prestigiada em sua campanha para se reeleger que a ex-presidenciável Manuela D’Ávila, que recém chegou à legenda.

“Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. (...) É um absurdo que a direção partidária feche os olhos (...) Hoje, Juliano Medeiros @julianopsol, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. @ManuelaDavila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro”, escreveu ela em sua conta no X.

VEJA TAMBÉM:

Privilégio branco e cis

Mais adiante, a parlamentar chama isso de “privilégio”, usando o vocabulário woke que é caro ao grupo político. “Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, completou Erika. Ela não entrou em detalhes sobre que acordos o partido teria descumprido.

Quando Erika cobra "estrutura", o que ela está cobrando é, na verdade, verba. A briga dentro das correntes do PSOL é pelo fundão eleitoral, segundo apurou a Gazeta do Povo.

Manuela é a principal aposta da legenda para crescer em 2027. O jovem PSOL não tem um senador há mais de dez anos, desde que Randolfe Rodrigues deixou os socialistas pela Rede Sustentabilidade, por isso deve investir pesado na campanha.

Cláusula de barreira

Fundado em 2004, o PSOL tem 13 das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, um número que precisa ser mantido ou aumentar nas eleições de outubro para o partido não cair na cláusula de barreira.

Criada em 2017 pela minirreforma eleitoral, a cláusula de barreira estipula um desempenho mínimo nas urnas para que partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário e tempo de propaganda em rádio e TV.

Erika alega ter mantido sua filiação para ajudar o partido e fez uma cobrança forte neste sentido. “Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra”, concluiu.

Em março, a deputada Erika Hilton foi parte de uma parcela do PSOL que acabou frustrada pela decisão do partido de não fazer uma federação junto ao PT. Agora, ela cobra a legenda por seu apoio na época.

Confira a íntegra da nota de Erika:

Simplesmente chocada e decepcionada.

Pra mim, vocês sabem, a política real se faz nas ruas, nas redes, com transparência, papo reto e propósito. Não se faz escondendo os problemas debaixo do tapete ou com tentativas de sabotagem.

Eu e muitas lideranças decidimos ficar no @PSOL50 para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando.

Tenho um orgulho imenso de ter ajudado a levar a luta pelo fim da escala 6x1 para o Brasil inteiro. As ruas estão do nosso lado. Mas fazer campanha no nosso país não é igual para todos. Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar, com o risco de inviabilizar nossa pré candidatura à reeleição, rebaixar o máximo potencial dos nossos votos… e colocar em risco nossa integridade física.

É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros
@julianopsol, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. @ManuelaDavila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL.

Tanto é assim que, comandado por @PaulaCoradi, presidenta nacional, o PSOL simplesmente desmontou a sua política nacional de inclusão que garantia repasses nacionais justos com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD), exatamente no momento em que o próprio Tribunal Eleitoral reconhece a importância histórica e a necessidade dessa política. É um retrocesso inaceitável.

E não é só comigo. No Rio de Janeiro, lideranças gigantes e populares como @RenataSouzaRii e @RickAzzevedo sofrem do mesmo mal. Igualmente @CarlosGiannazi em SP. O partido ignorou e subestimou o Rick na última eleição, ele foi para a rua, foi o mais votado, enquanto o PSOL encolheu, em grande parte pela má distribuição dos seus recursos sob critério que são políticos. E agora o PSOL está prestes a repetir exatamente o mesmo erro com ele!

Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.