Vida noturna: para realçar os casarões durante a noite, luminárias seriam substituídas por focos de luz no piso| Foto: Fotos: divulgação

Um cuidado especial

Em diversos projetos de restauração em Curitiba está a assinatura da arquiteta Giceli de Oliveira. Ela já trabalhou na revitalização da Casa Vilanova Artigas, edifício tombado pelo patrimônio histórico estadual e que hoje é sede do escritório dela, além do Colégio Estadual Xavier da Silva e da Sociedade Beneficente Operários. Fora da cidade, realizou projetos no Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Museu Casa de Benjamin Constant (RJ) e Museu do Diamante (MG). Atualmente, está envolvida no trabalho de restauro da Catedral de Curitiba e faz questão de lembrar de sua equipe. Para a proposta desta página, contou com o apoio da arquiteta Analu Cadore e dos universitários Martin Goic e Luiz Gustavo Singeski.

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O que sonham os arquitetos

Veja o que outros arquitetos dizem sobre a cidade:

Manoel Coelho

Daniela Busarello

Orlando Ribeiro

Movimento: vida comercial seria mantida, mas sem poluição visual nem chafariz
Manutenção: floreira, Bondinho e detalhes de fachadas guardam a memória da rua centenária

A movimentada e comunicativa Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba, mantém entre seus sons, anúncios e propagandas diversas referências que contam parte da história da capital. No meio de tanta informação, os detalhes de construções históricas, de vitrais e de painéis passam despercebidos para as milhares de pessoas que caminham diariamente por um dos calçadões mais importantes do país.

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É este cenário da Rua das Flores que inspira a arquiteta Giceli Portela Cunico de Oliveira a propor a ?Curitiba dos sonhos?. A reportagem da Gazeta do Povo convidou a profissional a apresentar uma proposta de intervenção para a cidade, algo que seria ideal. Mestre em patrimônio histórico, ela observa que a Rua XV está ?desfigurada? e propõe uma espécie de volta ao passado. ?A poluição visual impede que as pessoas saibam o que acontece ali. Essa rua é uma fonte de informação cultural, de resgate histórico que deve ser levado adiante?, diz.

A arquiteta não pensa em criar novas intervenções. Pelo contrário: defende a retirada de elementos que hoje descaracterizam o calçadão. O objetivo é que os curitibanos conheçam melhor as referências culturais que o espaço revela, como o painel do artista curitibano Poty Lazzarotto direcionado para a Avenida Mare­chal Floriano Peixoto, o Bondinho em frente ao Palácio Avenida e a escadaria e os vitrais do prédio onde está instalada a loja Marisa.

Só que o conhecimento destes elementos parece estar restrito a arquitetos e pessoas interessadas na história da cidade, observa Giceli. ?É papel da arquitetura informar todo mundo. A proposta do projeto é voltar este entendimento para todos, não apenas para os intelectuais, mas para qualquer curitibano, às crianças, e aos palhaços que ficam por ali?, diz.

A arquiteta imagina a Rua XV sem os anúncios comerciais presentes nas fachadas das lojas, para dar destaque às construções históricas. Ela manteria os bancos e as floreiras, tombados pelo patrimônio histórico, mas propõe várias alterações. Trocaria o piso de petit pavê ? que perdeu sua formação original com desenhos paranistas ? por chapas de pedra lisa, que facilitariam a circulação dos pedestres. O chafariz no trecho entre a rua Dr. Murici e a Avenida Marechal Floriano Peixoto deixaria de existir para facilitar o deslocamento pela via.

Giceli também retiraria as luminárias espalhas pelo calçadão, instaladas na década de 1990. De acordo com a arquiteta, o modelo dos equipamentos atuais não fez parte da história da cidade. ?Trabalhei em muitas pesquisas e sei que em Curitiba não teve este modelo de luminária. Elas fazem referência a um desenho que não existiu na cidade e fazer isso é contar uma falsa história para as pessoas?, critica. A arquiteta criou outra solução para a iluminação da rua: focos de luz presentes no piso direcionados aos casarões e que eliminariam obstáculos para os pedestres.

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Para Giceli, o projeto apresentado permite que a Rua XV tenha ao mesmo tempo características comercial e histórica, sem que uma interfira na outra. ?Durante o dia a rua pode ser de um jeito, com atividade intensa, mas durante a noite, com as portas fechadas, ela pode ser uma rua linda e que hoje não é.?

Veja o vídeo com a arquiteta Giceli Portela: