Guilherme Weber: escritores curitibanos como Paulo Leminski e Dalton Trevisan influenciam sua obra.| Foto: Ana Branco / Agencia O Globo/

Tive a sorte de pegar o cinema como uma grande e excitante experiência coletiva. E as salas que foram fundamentais na minha formação de cinéfilo, o Ritz, o Luz e o Groff, todos com uma programação maravilhosa.

Guilherme Weber Ator
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Guilherme Weber, o piá loiro e alto que na década de 80 costumava andar de patins pelas ruas do Alto da XV até a Let’s Roller – espaço de patinação que era febre entre a garotada de Curitiba na época –, trocou a pista pelo palco, câmeras e pelos cenários que as profissões de ator e diretor foram lhe apresentando. Com mais de 20 anos de trajetória no teatro, televisão e cinema, ele se apega a lembranças pitorescas de sua infância para matar a saudade da terra natal. Há dez anos, Guilherme se mudou para o Rio de Janeiro devido aos compromissos da vida profissional.

Luzes da cidade

Guilherme Weber gosta de lembrar de Curitiba como nas noites de dezembro de sua infância, pouco antes do Natal, época em que as lojas de rua ficavam abertas até mais tarde por causa do comércio. “Saíamos para ‘ver as luzes’ e o presépio articulado da loja Hermes Macedo. Acho que por sempre passar o Natal na cidade, esta sensação se mantém, a cidade decorada, as luzes de Natal”, relata.

O ator explica que, devido aos compromissos profissionais, suas visitas a Curitiba têm sido cada vez mais curtas, por isso acaba dedicando o tempo à família e aos antigos amigos: “Uma cidade é as pessoas que estão nela”, analisa.

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Guilherme, que acabou de voltar de uma turnê europeia com a peça “A Tragédia Latino Americana”, dirigida por Felipe Hirsch – com quem, ainda em Curitiba, fundou a Sutil Companhia de Teatro. Ainda assim, fala com nostalgia dos palcos curitibanos. Segundo ele, o Teatro Guaíra sempre ocupou um lugar forte em seu imaginário de adolescente e onde assistiu peças e shows inesquecíveis, em suas três salas. Seguido do ritual de ver alguns artistas no Café do Teatro. “Mas sempre tive especial fascínio pelo Teatro Paiol, onde apresentei alguns dos solos que marcaram o início da minha carreira e da Sutil Companhia de Teatro. Apresentei lá “Baal Babilônia”, minha primeira peça profissional e depois “Cartas Para Não Mandar.” Era sedutor pensar que aquele antigo paiol de pólvora se incendiava com a força dos artistas que ali se apresentavam”, enfatiza.

A oferta cultural da Curitiba dos anos 80 foi marcante para Guilherme, que fala dos cinemas de rua que hoje foram substituídos por estacionamentos e outros empreendimentos “mais rentáveis” economicamente. “O Condor, Lido I e Lido II e o Astor. No Condor, lembro da experiência de ver E.T na semana de lançamento e de subir na cadeira aplaudindo quando as bicicletas voavam. Tive a sorte de pegar o cinema como uma grande e excitante experiência coletiva. E as salas que foram fundamentais na minha formação de cinéfilo, o Ritz, o Luz e o Groff, todos com uma programação maravilhosa”, recorda, referindo-se às salas do circuito alternativo da cidade, onde era possível assistir os filmes de arte e as mostras de filmes estrangeiros.

Depoimento

Em Curitiba que encontrei meus parceiros de trabalho, onde conheci o Felipe Hirsch, fundamos a Sutil Compahia de Teatro e onde conheci meus primeiros mestres, Fátima Ortiz, Leonilda Kessa. Curitiba também nos deu, ao Felipe e a mim, os códigos para a criação de uma estética, humor e narrativa de profunda originalidade. Códigos oriundos de um humor particularíssimo, ácido, desconfiado e uma poética concreta dos grandes das letras curitibanas, Leminski, Dalton Trevisan, Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski, Manoel Carlos Karam”.

Especial Aniversário de Curitiba

Para comemorar os 324 anos de Curitiba, a Gazeta do Povo publica uma série especial com o perfil de curitibanos célebres que representam a nova cara da cidade. Até dia 29 de março, um novo personagem falará diariamente sobre sua relação com Curitiba.

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