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Drogas estão por trás de 56% dos homicídios em Curitiba

Mais da metade das mil pessoas assassinadas entre 2010 e 2013 era traficante ou usuária de entorpecentes

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Acesse informações sobre os inquéritos de mil homicídios ocorridos entre 2010 e 2013 e que foram analisados pela Gazeta do Povo

Consulte as estatísticas sobre assassinatos.

Concentração

Quatro bairros de Curitiba são conhecidos pelo alto número de assassinatos. Em comum, o fato de contarem com pouca infraestrutura e algumas vilas estarem abandonadas pelo poder público:

Alto Boqueirão: As cavas e os matagais da região do entorno do Zoológico de Curitiba são conhecidos como ponto de desova de cadáveres.

Cajuru: Os crimes se concentraram nas imediações da Rua da Trindade e também perto da linha de trem que corta o bairro.

Cidade Industrial: O bairro mais populoso de Curitiba e o mais extenso (são 172 mil moradores e área de 43 km2) concentrou o maior número de ocorrências: 173 das mil mortes analisadas pela reportagem da Gazeta do Povo. A maior parte está ao longo da Avenida Juscelino Kubitschek.

Tatuquara: Mesmo áreas urbanizadas recentemente concentram muitos assassinatos, como as Moradias Santa Rita e da Ordem. Esses locais ficam próximos à divisa com a cidade de Araucária.

Os homicídios em Curitiba têm locais e datas para ocorrer. Levantamento da Gazeta do Povo com base nos inquéritos de mil assassinatos cometidos entre 2010 e 2013 revela que os crimes estão concentrados em 176 das mais de 8 mil ruas da capital e acontecem com maior frequência em áreas de ocupação irregular, localidades pobres e à beira dos rios e da linha do trem. A data também segue um padrão: a maioria (55%) acontece entre sexta-feira e domingo.Das mil ocorrências analisadas, quase metade (447) ocorreu em 176 ruas ou adjacências. A que tem mais ocorrências é a Avenida Juscelino Kubitschek, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) com 11 assassinatos, com maior concentração nas imediações da ocupação Vila Nova Barigui. Outro local com o mesmo número de ocorrências é a área em torno do Zoológico de Curitiba e da Rua João Miqueletto, no Alto Boqueirão.

Em seguida aparecem a Avenida Nico­­la Pellanda (que atravessa os bairros Pinheirinho, Sítio Cercado e Umbará) e suas imediações, com sete assassinatos. Outras quatro vias registraram quatro mortes cada: Avenida Comendador Franco (a Avenida das Torres); Rua da Trindade (Cajuru); e Rua Desembargador Cid Campelo (CIC).

Invasões

Do total de crimes, aproximadamente 380 ocorreram dentro ou ao lado das áreas de ocupação irregular. Nessas áreas, a infraestrutura é precária e há poucos equipamentos públicos. O maior número de ocorrências, além da Vila Nova Barigui, está no entorno da Vila Sandra, na CIC; Terra Santa (Tatuquara); Xapinhal, Campo Cerrado e Osternack (Sítio Cercado); 23 de Agosto (Ganchinho), Vila União e Jardim Icaraí (Uberaba); Vila Acrópole e Vila Autódromo (Cajuru).

Segundo o sociólogo Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná, as áreas de crimes coincidem com as regiões abandonadas pelo poder público. "Não há serviços públicos básicos suficientes, como escolas, creches, áreas de lazer, e muito menos segurança. Como há uma demanda muito grande, a polícia acaba se voltando para áreas com maior visibilidade e pressão midiática."

"A polícia não pode falar em imprevisibilidade", afirma o pesquisador Luís Felipe Zilli do Nascimento, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O homicídio ocorre sempre nas mesmas áreas, nos mesmos horários. Isso é padrão nas capitais. Com um pouco mais de direcionamento e inteligência é possível resolver e diminuir o número de ocorrências", avalia.

Segundo os pesquisadores, é essencial resolver os crimes nas áreas mais pobres. "Em um cenário de escassez de recursos, em que é necessário priorizar casos, estes são os mais importantes. A maior parte dos crimes ocorre em favelas, mas são cometidos por poucas pessoas, homicidas contumazes. Se focalizar os recursos nessas áreas, a redução no número de homicídios será drástica", diz Zili. Para Bodê, além de preservar vidas, essa medida traria sensação de segurança para toda a sociedade.

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