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O papa é pop

O inexplicável carisma de Francisco

Aos 76 anos, o papa conquista os corações de jovens com um discurso exigente e simpático, unido à coerência de uma vida desapegada do luxo

  • PorDenise Drechsel, enviada especial
  • 27/07/2013 21:09
O beijo no rosto das crianças: gesto que marcou a visita papal no Brasil | Stefano Rellandini/Reuters
O beijo no rosto das crianças: gesto que marcou a visita papal no Brasil| Foto: Stefano Rellandini/Reuters

Exemplo

Conduta de Francisco ajuda a quebrar estereótipos negativos da Igreja Católica

As palavras do papa também adquiriram força pelo seu exemplo. Atitudes como a de escolher um carro popular para fazer os trajetos mais distantes no Rio – em um país em que o uso pelas autoridades de carros de luxo e meios aéreos é comum – ou a sua insistência pela escolha do mais barato ou simples ficaram patentes aos peregrinos e deram credibilidade à sua mensagem. "Ele mostrou que o desapego dos bens materiais é algo simples e gostoso, possível e que traz liberdade", avaliou a estudante curitibana Carolina D’Hanens , de 15 anos.

Nada de luxo

Mas talvez um dos principais motivos da aceitação da figura de Francisco foi a quebra de estereótipos negativos da Igreja Católica, como a fama de riqueza e do controle moral. "Dizem que a Igreja só está interessada em dinheiro? Ele é o ‘papa dos pobres’. Os papas são monarcas isolados? Ele rejeitou o palácio papal. A Igreja quer controlar a vida sexual das pessoas? O papa não fala muito sobre sexo e concentra-se sobre a justiça social", comentou John Allen Jr., vaticanista norte-americano.

Para Allen, é muito cedo avaliar como será o pontificado nos próximos meses, porém uma coisa é certa, uma mudança muito importante já aconteceu. "Cinco meses atrás, a Igreja Católica, de certa forma, estava cercada por todos os lados por causa dos seus problemas. Hoje, parece que tudo é possível. Para um período de menos de um ano de trabalho, isso é um grande feito", avaliou.

Agenda

Veja a programação do último dia da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro:

Hoje

• Visita

De manhã, o papa sobrevoa de helicóptero o Cristo Redentor.

• Missa

Às 10 horas, Francisco celebra a missa de encerramento em Copacabana. Na hora do almoço, faz oração do Angelus Domini.

• Voluntários

Participa de reunião com voluntários da JMJ no Riocentro.

• Despedida

Às 18h30, participa de despedida oficial no aeroporto do Galeão, antes de voltar para o Vaticano.

  • Peregrinos saúdam o pontífice na Quinta da Boa Vista, no Rio
  • Jovem católicos rezaram o Pai Nosso na caminhada de ontem

O papa Francisco termina hoje, no Brasil, a sua primeira viagem internacional como chefe supremo da Igreja Católica. Às 18h30, ele volta para o Vaticano depois de deixar um rastro de esperança e admiração. Nem mesmo as confusões de infraestrutura e segurança da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 ou a mensagem exigente de Francisco, coerente com a ortodoxia católica, diminuíram o entusiasmo dos peregrinos que lotaram as ruas e os atos de culto para ver, nem que fosse por poucos instantes, o homem de branco.

Não é fácil explicar esse sucesso. Quem caminhou pelas ruas da praia de Copacabana, entre os mais de 2 milhões de peregrinos que passaram horas embaixo de chuva para conseguir um bom lugar e assim poder ver de perto o papamóvel, pôde presenciar a comoção geral do público. Choro, gritos de alegria, empurrões nos outros com as mãos estendidas na tentativa de tocar o papa, nem que fosse apenas na batina. Nada mau para um homem de 76 anos.

"Na verdade, é difícil explicar por que ele atrai tanto. O que sei é que nunca me senti tão feliz e disposta a mudar", expressou a estudante goiana Dalcilene Lopes Lima, de 16 anos. "É como se eu tivesse a oportunidade de recomeçar e deixar para trás os erros do passado", disse, em lágrimas, a professora venezuelana Andrea de Freitas, de 20 anos, logo após ver o papa.

"Um de nós"

O sorriso espontâneo e o caminhar à vontade pelo povo, especialmente entre os mais pobres, como foi o caso da visita à favela da Varginha, no Rio de Janeiro, surpreendeu e fez desaparecer qualquer distância protocolar. Enquanto os agentes de segurança transpareciam a preocupação de transitar com o pontífice pelas zonas de perigo na multidão, Francisco subia e descia do papamóvel com tranquilidade, para beijar uma criança ou fazer uma foto com um favelado. "Ele é uma pessoa do povo, é um de nós, está feliz conosco", exultou Maria da Conceição Luiz, de 28 anos, moradora de Varginha.

As constantes alusões aos problemas sociais e a questões dolorosas, como a lembrança do incêndio na Boate Kiss durante a Via Sacra de sexta-feira, convenceu a muitos do seu real interesse e envolvimento pelos dramas humanos. "Foi assim que ele conquistou a Argentina, ao visitar favelas e zonas de risco, desde quando era um mero jesuíta", comentou a jornalista argentina Laura Cerezo, da Rádio Cadena 3.

A linguagem simples, com expressões comuns, do homem da rua, como "colocar mais água no feijão" ou "boto fé nos jovens", contribuíram ainda mais para tocar o coração dos fiéis. "O papa tem uma alma jovem. Mais do que falar só com termos doutrinais ele convida, com palavras do nosso cotidiano, a ter uma vida com Deus compatível com a atualidade, sem deixar o essencial da fé; estou convencida", disse a estudante paulista Natália Finazzi, de 18 anos.

Peregrinação toma conta das ruas do Rio

Folhapress

Teve de tudo na peregrinação, a tradicional caminhada dos católicos que participam da Jornada Mundial da Juventude, entre a Central do Brasil e a praia de Copacabana, ontem à tarde. Quem percorreu os 9,5 quilômetros do "trajeto oficial", encontrou um corredor humano num cenário de absoluta tranquilidade e, principalmente, de satisfação pela mudança do local do evento de Guaratiba para Copacabana.

"Foi muito melhor. A estrutura lá não era adequada", comemorou o estudante de administração Ênio Marques, 21 anos, de Garanhuns (PE). Acompanhando um grupo de 250 australianos, a estudante Ceare Murphy, 16 anos, foi outra que não escondeu a satisfação em fazer um roteiro que passa por alguns dos cartões postais do Rio. Apesar do trajeto oficial ter sido delimitado pela prefeitura, muita gente criou caminhos alternativos para cumprir o ritual de fé que é tradicional na programação do evento religioso.

Desde cedo, os fiéis lotaram as ruas do centro do Rio. A maioria carregava sacos de dormir e cobertores, já que muitos iriam passar a noite em vigília na praia de Copacabana. Alguns caminhavam de mãos dadas e rezavam a oração do Pai Nosso em voz alta. Os peregrinos receberam um "kit vigília", com achocolatado, sucos, batata frita, queijo. A retirada da "quentinha" dos fiéis gerou uma fila imensa em meio ao trajeto.

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