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Espaço

Menina dos olhos do Oeste

Terceiro maior do Paraná, Teatro Municipal de Toledo tornou-se referência cultural com uma agenda repleta de apresentações de grupos locais e artistas de renome nacional a preços populares

  • Anderson Gonçalves, especial para a Gazeta do Povo
O flautista Elemar Schweizer, 72 anos, e a violinista Chiara Marella, 10: Orquestra de Câmara de Toledo reúne músicos de diferentes idades e classes sociais |
O flautista Elemar Schweizer, 72 anos, e a violinista Chiara Marella, 10: Orquestra de Câmara de Toledo reúne músicos de diferentes idades e classes sociais
 
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Menina dos olhos do Oeste

Toledo - Em uma tarde de sábado, é grande a agitação dos artistas atrás do palco enquanto uma equipe finaliza o cenário para a apresentação que acontecerá dali a algumas horas. É o último ensaio para um espetáculo que está com seus mais de mil ingressos praticamente esgotados, à espera de um público familiarizado com a produção cultural. Durante a maior parte do ano, assim são os dias no Teatro Municipal de Toledo, o maior do interior e o terceiro de todo o Paraná. Mais do que impressionar pela grandiosidade, o espaço se tornou referência para a região graças a atividades permanentes e à plateia fiel. Aos 12 anos de idade, o teatro é o principal personagem de uma cidade que parece ter vocação para a cultura.Pode-se dizer que a relação de Toledo com a produção cultural se tornou referencial na década de 1970, quando a cidade inaugurou a primeira Casa de Cultura do Paraná. O espaço nasceu com o propósito de ofertar cursos e estimular atividades artísticas, visto que o município ainda não contava com um local propício para isso. A partir dali, surgiram o Conservatório Musical, a banda municipal, grupos de teatro, de danças folclóricas e corais, muitos dos quais permanecem em atividade até os dias atuais. Hoje, são atendidos 1,2 mil alunos em cursos de diversas áreas, como desenho, pintura, música e teatro.

Um novo marco foi instituído em 1999, com a entrega do Teatro Municipal. Do alto de seus 3 mil metros quadrados e com capacidade para 1.022 pessoas, o espaço só perde em tamanho para os teatros Positivo e Guaíra, ambos em Curitiba. Tamanha imponência não se resume apenas à estrutura física. Segundo a secretária municipal de Cultura de Toledo, Rosângela Reche de Souza, a taxa de ocupação do teatro ao longo do ano é de 90%, chegando a 100% nos meses de novembro e dezembro.

Rosângela garante que essa é uma ocupação democrática. Na agenda estão desde apresentações de grupos locais até espetáculos com artistas de renome nacional. “Procuramos desenvolver um trabalho de formação de plateia. De todas as atividades, 90% são a preços populares ou gratuitas”, frisa. Quem ocupa uma parcela significativa dessa agenda são os artistas locais, bastante numerosos e que contemplam diferentes segmentos. Existem hoje na cidade duas escolas de dança, quatro grupos de teatro e três orquestras, sendo duas delas dedicadas à viola caipira.

No dia em que a reportagem visitou o teatro, a Escola de Dança Lilian Moema apresentaria o espetáculo A Bela Adormecida, marcando o encerramento de suas atividades em 2011. Com 20 anos de trajetória, a escola vem formando bailarinos e professores, alguns dos quais já deixaram a cidade. “Nós contamos com um espaço que dá todas as condições de mostrar nosso trabalho. Temos muitos talentos aqui e o teatro funciona como uma vitrine”, avalia a proprietária da escola, Lilian Moema Della Costa.

Equação de sucesso

Para Cauê Kruger, professor de Antropologia e Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o caso de Toledo ilustra uma equação que pode funcionar tanto em municípios grandes como no interior. “Todo local tem as suas particularidades. Mas quando existem iniciativas governamentais que direcionam as ações culturais, a tendência é que haja uma maior participação popular. A cultura não é algo separado das atividades cotidianas, ela é fundamental ao ser humano para a compreensão das coisas”.

O projeto Retratos Paraná, iniciado em 26 de setembro, traz reportagens sobre aspectos sociais e econômicos de diversas cidades do estado. Confira todo o conteúdo e um banco de dados on-line em www.gazetadopovo.com.br/retratosparana

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