Sem transporte -Em dias de chuva forte, a Escola Municipal 9 de Maio, em Alto Paraíso, fica com as salas de aula quase vazias. Como a maioria dos alunos vem da zona rural, muitos não vão para a escola porque o ônibus não consegue buscá-los, devido às condições precárias das estradas. Ana Carolina dos Santos, de 10 anos, e Maicon Lins dos Santos, de 5, são dois desses alunos. Eles moram na comunidade de Jerusalém, a sete quilômetros da cidade. “Só depois que o tempo seca que o ônibus volta a passar”, diz a mãe das crianças, Marilza Reis dos Santos | Fotos: Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Sem transporte -Em dias de chuva forte, a Escola Municipal 9 de Maio, em Alto Paraíso, fica com as salas de aula quase vazias. Como a maioria dos alunos vem da zona rural, muitos não vão para a escola porque o ônibus não consegue buscá-los, devido às condições precárias das estradas. Ana Carolina dos Santos, de 10 anos, e Maicon Lins dos Santos, de 5, são dois desses alunos. Eles moram na comunidade de Jerusalém, a sete quilômetros da cidade. “Só depois que o tempo seca que o ônibus volta a passar”, diz a mãe das crianças, Marilza Reis dos Santos| Foto: Fotos: Albari Rosa/ Gazeta do Povo
  • Falta de estímulo -No assentamento Ildo Luiz Peruzzo, em Santa Mônica, Orlando Lorencini vive com três filhos. Antônio José e Géssica, os mais novos, seguem com os estudos. Já Júnior César (de vermelho), de 21 anos, há muito perdeu o estímulo para ir à escola. Deixou de frequentar as aulas quando completou a 8ª série e seguiu para São Paulo, de onde retornou três anos depois, casado e com uma filha. Apesar de a baixa escolaridade ter sido um empecilho para conseguir emprego, não pensa em retomar os estudos.
  • Exemplo de superação -Filha de agricultores, Cecília Martins Rossi enfrentou as dificuldades com as quais muitos jovens de Santa Mônica se deparam para seguir os estudos: a distância da escola e a necessidade de trabalhar para ajudar em casa. Isso não impediu que ela se tornasse um exemplo para a comunidade local. Recentemente, foi aprovada no vestibular da Universidade Estadual de Maringá, para o curso de Tecnologia em Meio Ambiente.
  • Veja os municípios com os melhores e piores desempenhos no último Ideb

Situados na Região Noroeste do Paraná, os municípios de Santa Mônica e Alto Paraíso têm mais em comum do que a localização geográfica. Ambos contam com cerca de 3,5 mil habitantes, muitos moradores na zona rural e economias com dificuldades de crescimento. Na educação, as duas cidades chamam a atenção por estatísticas desfavoráveis: lá estão os piores desempenhos do estado no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado em 2009.Criado em 2007 para medir a qualidade do ensino básico no Brasil, o Ideb varia de zero a 10. O cálculo é feito a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (com base nos índices de aprovação) e as médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, enquanto as médias de desempenho são as da Prova Brasil, realizada com os estudantes do ensino fundamental (da 1.ª à 8.ª série) a cada dois anos. As próximas avaliações acontecem na semana que vem.

No Paraná, os dados de 2009 colocam Santa Mônica com o menor índice na avaliação da 5.ª à 8.ª série na rede estadual. Único estabelecimento avaliado pelo Inep na cidade, o Colégio Estadual Santa Mônica obteve nota 2,8. Segundo o diretor da escola, Roberto Otaki, a instituição enfrenta problemas com o alto índice de desistências, o que pesou no fraco desempenho. "Existem muitos alunos que trabalham com os pais na roça e por isso têm dificuldades de acompanhar os estudos", explica. A média de aprovação em 2009 foi de 74,7%.

Em Alto Paraíso, a Escola Municipal 9 de Maio, única a participar da avaliação na cidade, teve uma queda expressiva em relação a 2007, passando de 4,8 para 3,6 nas séries iniciais do fundamental. Com isso, a cidade teve o pior resultado no ensino até 4.ª série na rede municipal. A principal razão apontada pela direção foi um problema com os gabaritos da prova, mas os índices de reprovação também pesaram. "Houve uma dificuldade na transição do primeiro para o segundo ano. Mas nós reprovamos justamente porque os alunos não estavam preparados", justifica a diretora da escola, Valdete Benassi Paulino. Para tentar melhorar o desempenho, as duas escolas promoveram aulas de reforço no contraturno.

Qualidade na educação

Professora do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná, Andrea Barbosa Gouvea diz acreditar que o Ideb é um indicador interessante. Mas não deve ser tomado como um retrato fiel da educação. "Se a escola não atingiu um índice satisfatório, é sinal de que algo não vai bem. Porém qualidade na educação é mais que ensinar Português e Mate­­mática", observa, referindo-se às únicas duas disciplinas avaliadas na Prova Brasil.

Para a pesquisadora, a melhoria na qualidade de ensino passa por uma série de fatores, que vão da ampliação do conteúdo programático, incentivando a leitura e a escrita, à melhoria na formação dos professores. "O problema não é que não se saiba o que fazer. É que o que precisa ser feito demanda investimento".

"Troca de gabaritos fez nota cair"

Um problema com gabaritos trocados na última Prova Brasil, realizada em 2009, fez com que o município de Alto Paraíso tivesse seu desempenho prejudicado no Ideb. Esta é a principal explicação da direção da Escola Municipal 9 de Maio, única a participar da avaliação na cidade, para a queda significativa em seu desempenho.

A diretora da escola, Valdete Benassi Paulino, conta que, passados aproximadamente 20 minutos do início da prova, um aluno disse que seu gabarito estava com o nome trocado. "No seu gabarito estava um nome de menina. Assim que ele se manifestou, outros alunos também relataram que estavam com os gabaritos trocados", conta. Como os estudantes já haviam respondido uma parte das questões, não foi possível uma nova troca.

Segundo Valdete, foi solicitado que na ata da prova constasse o ocorrido, o que acabou não acontecendo. "Foi uma falha nossa, de não termos nos atentado ao problema a tempo e não termos cobrado mais incisivamente as providências. Esperamos reverter esse quadro na próxima avaliação", diz. Com base nos desempenhos anteriores, o Ministério da Educação estabelece metas para as avaliações subsequentes. Para 2011, o município deve atingir um índice 4,8.

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