Moradores de Porto Figueira, Devanir e Roseni viram o movimento de turistas cair com o passar dos anos | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Moradores de Porto Figueira, Devanir e Roseni viram o movimento de turistas cair com o passar dos anos| Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo

Falta plano de manejo para turismo

O incremento da atividade turística no Parque Nacional de Ilha Grande e seu entorno depende primeiro de uma análise do plano de manejo da unidade de conservação. Por enquanto, o processo caminha a passos lentos, pois a Ecoparaná, órgão ligado à Secretaria de Estado do Turismo que está à frente do trabalho, tem priorizado outras áreas, como o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque Estadual de Vila Velha.

O superintendente da Eco­paraná, Rafael Andreguetto, explica que a iniciativa faz parte do planejamento para uso público de áreas protegidas, voltado não só para parques, mas também para outros espaços de preservação, como margens de rios. "Por ser uma unidade de conservação, precisamos analisar o que é permitido no Parque de Ilha Grande. E também ver quais atividades não estão contempladas, mas podem ser inseridas", observa. O assunto será debatido no início de dezembro por representantes dos governos estadual, federal e prefeituras.

Criado para discutir ações e políticas voltadas para a preservação ambiental, o Consórcio In­­termunicipal para a Conser­­vação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa) reúne os municípios que estão na área do parque. Segundo o secretário executivo do órgão, Erick Caldas Xavier, o incentivo ao turismo também está entre as metas. "Um dos nossos alvos é o turismo religioso, com a festa de São Francisco de Ilha Grande", relata. A figura de São Francisco de Assis foi incorporada como padroeiro do parque, com a imagem do santo percorrendo os municípios da região no mês de outubro.

No extremo-Noroeste do Paraná, dividindo espaço com o Mato Grosso do Sul, uma área de quase 80 mil hectares preserva algumas das principais riquezas naturais do estado. Às margens do Rio Paraná, o Parque Nacional de Ilha Grande abriga um conjunto de ilhas, pequenas praias, vegetação diversificada e animais ameaçados de extinção. Oficia­­lizado como unidade de conservação há 14 anos, o parque ainda não conseguiu alavancar o turismo regional. Quem vive nos municípios do entorno não enxerga benefícios e diz que poucos vêm para conhecer e desfrutar dos atrativos.Com uma extensão de 78,8 mil hectares, o parque foi criado em 1997, para proteger uma parcela das várzeas do Rio Paraná. Dez municípios estão na área do parque, seis no Paraná: Guaíra, Altônia, São Jorge do Patrocínio, Alto Paraíso, Icaraíma e Querên­­cia do Norte. Por eles há acesso gratuito a prainhas, onde é possível nadar até às margens do rio. Também são oferecidos passeios de barco. A pesca é responsável pela maior parcela dos visitantes.

Um dos locais mais conhecidos dos pescadores na região é a localidade de Porto Figueira, em Alto Paraíso. Às margens do Rio Paraná, dezenas de residências permanecem fechadas durante a maior parte do ano, recebendo famílias apenas em fins de semana ou períodos de férias. Os poucos moradores do lugar dizem que o movimento já foi bem maior. "Há alguns anos isso aqui lotava nos fins de semana. Hoje vem pouca gente", conta Devanir de Araújo, nascido e criado em Porto Figueira.

Devanir e a esposa, Roseni Fernandes Araújo, têm uma vida ligada ao rio. Ele trabalha na dragagem de areia, ela é pescadora. Ambos acreditam que a criação do Parque de Ilha Grande não resultou em benefícios para a comunidade. "Pelo contrário, ficou pior, já que muita gente tinha criação de gado na região e teve de sair", reclama Devair. Já Roseni vê a queda no volume de turistas com simpatia. "Quando tem muito turista atrapalha, alguns não respeitam quem está trabalhando", diz.

Receita

Mesmo com a queda no fluxo de turistas, o secretário municipal de Meio Ambiente de Alto Paraíso, Job Resende, destaca a importância de Porto Figueira. "Quem vai para lá passa obrigatoriamente pela cidade. Isso ajuda a movimentar a economia", avalia. Já no município vizinho de São Jorge do Patrocínio, que tem mais da metade de seu território dentro da área do parque, os reflexos do turismo são mínimos. "Não tem turista porque é tudo muito rústico, não tem conforto para quem vem. Além disso, é um cenário que se encontra com facilidade em outras regiões", relata o prefeito Cláudio Palozi.

Para as prefeituras, o retorno financeiro vem do ICMS Ecológico, parcela do imposto destinada a municípios como forma de compensar as restrições ambientais de seus territórios. Em Alto Paraíso, o tributo representa 40% da receita. Em São Jorge do Patrocínio, o repasse médio é de R$ 300 mil mensais. "Mas é preciso lembrar que a gente gasta em torno de R$ 40 mil para cumprir com as obrigações relacionadas ao parque", observa o prefeito.

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