A vida da jovem solista Dieine Thaise de Souza, 18 anos, também mudou com participação no coral do Palácio Avenida. Ela integra a apresentação desde 2001 e, em função de sua persistência e vocação, recebeu uma bolsa de estudos do HSBC para se dedicar integralmente à aprendizagem musical. Nos últimos meses, a torcida dos organizadores do evento, maestrina e companheiros era para que a jovem passasse no vestibular para a Belas Artes.

Dieine conta que durante os primeiros ensaios não tinha noção da grandiosidade do espetáculo. "A primeira coisa que me chamou a atenção foi o teatro. Todos nós nunca havíamos visto um. Foi um momento mágico." Depois das primeiras apresentações, a "ficha caiu", como ela diz. "O mais legal é que eu não me espelhei em ninguém. Fui me descobrindo sozinha, percebi que tinha talento."

Além da oportunidade profissional, o coral ajudou a criar responsabilidade. A jovem ainda está um pouco assustada com todas as mudanças, mas já tem funções de grande responsabilidade. Com o valor que recebe do HSBC, ajuda a pagar boa parte das contas da família. "Hoje sei que posso fazer o que quiser no meu futuro e, com certeza, haverá relação com música e crianças. Quero retribuir o que as pessoas fizeram por mim. Depois daqui, todas as dificuldades ficaram pequenas."

Uma das responsáveis pelo sucesso de Dieine é a maestrina Dulce Primo, que comanda o coral há 17 anos. "Ela é minha segunda mãe. Foi quem acreditou em mim", conta a garota. Para a maestrina, o trabalho é gratificante. "É uma planta que tem raiz, cresce e dá frutos", afirma.

Reencontro

O jovem Kléber Diego Ana­­nias Rodrigues, 19 anos, faz parte da mesma geração de Dieine. Neste ano ele retorna ao coral para uma participação especial. O rapaz viveu em um abrigo de 99 a 2005, após ser separado dos irmãos menores, levados por um casal italiano.

Quando estava com 16 anos foi adotado pelos pais sociais junto com mais seis colegas. Além da nova família, com o coral ele construiu laços que mudaram o rumo de sua vida. Atuou como adolescente aprendiz no banco e hoje so­­­nha em trabalhar com música.

O Natal deste ano também terá um gosto especial para o rapaz. Após mais de uma década de separação, ele encontrou os irmãos pela internet. O reencontro deve ocorrer no próximo ano.

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