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Transporte coletivo

Estação-tubo vai de símbolo de Curitiba a vilã do desconforto

Cobradores e passageiros reclamam da estrutura dos pontos, muito quentes no verão e gelados no inverno

  • Fernanda Trisotto
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Ícone do urbanismo de Curitiba, as estações-tubo estão no olho do furacão desde a última greve dos cobradores. Criadas em 1991, especialmente para as linhas do ônibus ligeirinho, elas se espalharam pela cidade e região metropolitana: são 357 tubos que fazem parte do sistema integrado e que desagradam bastante aos trabalhadores. No verão, são muito quentes; no inverno, muito frios. Quando chove, a possibilidade de respingos entrarem pelas frestas é quase certa. Além disso, não há grande proteção além de um cofre para guardar o dinheiro arrecadado com a venda de passagens, e não existe banheiro.

INFOGRÁFICO: Veja os principais pontos que geram questionamento sobre as estações-tubo

Esses problemas apontados pelos cobradores também atrapalham os passageiros, com a diferença de que estes ficam menos tempo no tubo. Para amenizar o desconforto, algumas "soluções" já foram pensadas. Grandes estações, como a Central e a Eufrásio Correia, receberam um sistema de ventilação. Já na estação Carlos Gomes foram colocadas proteções nas portas para evitar que a chuva caia sobre quem está embarcando, processo que pode ser bem demorado em caso de ônibus lotado.

As reclamações dos trabalhadores receberam amparo da Justiça do Trabalho. A desembargadora Ana Carolina Zaina, que conduziu a conciliação das últimas greves, determinou que os sindicatos dos empregados e das empresas, além de Urbs, Ippuc e Comec, conversem com os procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT), que já têm uma ação sobre a questão ambiental nas estações-tubo, para que façam a mediação de um acordo. A Urbs informou que deve entrar em contato com os procuradores nos próximos dias. A partir do primeiro encontro, será fixado um prazo para a execução das melhorias.

A Gazeta do Povo ouviu três arquitetos sobre a funcionalidade das estações-tubo. Embora façam a ressalva de que a estrutura virou cartão-postal da cidade, todos questionam o modelo. "Se você tem de adaptar, o negócio é ruim", resume Orlando Ribeiro, presidente da regional do Paraná da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA).

Para o arquiteto Adriano Dorigo, que é professor de Conforto Ambiental na Universidade Positivo, é quase curioso pensar que essa estrutura, tão marcante na cidade, funcionaria melhor em outros lugares. "Acho que a estação funcionaria muito melhor em outra cidade, com outro clima. Ela não oferece um isolamento térmico e a falta de conforto ambiental afeta muito o trabalhador, que perde desempenho, pode ter problemas de saúde", diz.

O professor Eloy Fassi Casagrande Jr. lembra que os projetos que "copiaram" Curitiba, como o da cidade de Bogotá (Colômbia), optaram por estações maiores. "Como resolver o problema térmico? Além disso, ela tem capacidade pequena para os passageiros. A solução é fazer um novo projeto, rever o design, e talvez até repassar essas estações para cidades menores", avalia.

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