Fernando (em duas fotos; a mais recente é a da esquerda) desapareceu no dia 6 | Arquivo pessoal
Fernando (em duas fotos; a mais recente é a da esquerda) desapareceu no dia 6| Foto: Arquivo pessoal

Há uma semana a família de Fernando Nascimento Fernandes, 49 anos, faz uma busca por Curitiba e região metropolitana para tentar encontrá-lo. Ele tem esquizofrenia e fugiu da casa de apoio onde morava em Colombo. Fernandes tomava remédios regularmente para controlar a doença e tem um quadro considerado estável. Por isso, como parte do processo de ressocialização, sua saída era permitida. No dia 6, ele saiu cedo para comprar cigarro e não voltou. Desde então, seus três irmãos têm se revezado em buscas diárias, confecção de cartazes com fotos e procura em hospitais.

A história de Fernandes revela o drama de quem tem um integrante da família desaparecido. Não há um cadastro nacional que reúna informações sobre pessoas nesta situação e nem uma política pública para o assunto. O resultado são informações desencontradas e a falta de obrigação da polícia em investigar esses casos, já que não há uma legislação específica. Amauri Fernandes afirma que a família conseguiu descobrir algumas informações por conta própria. Fernando teria sido visto em uma lan house na terça-feira passada e em um posto de saúde da região na quinta. Depois disso não tiveram mais notícias. "Na casa de apoio ele tinha um acompanhamento integral e teve uma grande melhora nos últimos anos. Estamos preocupados porque ele pode estar passando por alguma dificuldade e não consegue nos contatar", diz o irmão.

O sociólogo Dijaci David de Oliveira, autor de uma tese de doutorado sobre o assunto, diz que, além da falta de participação da polícia nestes casos, as famílias não recebem orientação sobre como proceder nas buscas e acabam perdendo informações valiosas. "Sem um instrumento jurídico que apoie a busca de adultos com a comunicação e inteligência policial, é difícil continuar a busca", diz. No Paraná, quem centraliza as informações é a Delegacia de Vigilância e Capturas, que divide a tarefa com a captura de foragidos e o cumprimento de mandados de prisão.

O psiquiatra Dagoberto Requião lembra que é necessária a presença de um médico nos locais que atendem pacientes psquiátricos. É ele quem vai estabelecer a capacidade de visitas, saídas e ressocialização. "Todas as informações devem estar anotadas no prontuário, desde o modo de tomar banho, reação alérgica a medicamentos, até o risco de fuga ou suicídio. É uma responsabilidade do médico, que pode ser punido caso haja negligência", afirma.

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Serviço

Fernando Nascimento Fernandes tem cabelos grisalhos, olhos castanhos, 1,72 m, 53 kg. Segundo a família, é fumante compulsivo e tem os dedos amarelados pela nicotina. Tem pequena cicatriz na testa e pode estar usando óculos. Quem tiver informações pode entrar em contato pelos números (41) 9183-2347, 3366-1713 ou 9201-0491, ou pelo site www.familianascimentofernandes.com.br.

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