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"Isca" dos EUA é acusado de crimes

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o blogueiro e radialista que teria procurado o comerciante Moutih Ibrahim em Curitiba seria Harold Hal Turner, preso em junho deste ano, no estado norte-americano de Illinois, por ter postado comentários em seu blog pedindo que três juízes americanos fossem mortos.

Turner, no entanto, teria atuado como isca do FBI para identificar extremistas brasileiros há quatro anos. A passagem e o visto brasileiro teriam sido pagos pelas autoridades americanas. Ainda de acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, o caso de Turner corre em sigilo judicial. No entanto, a suspeita americana de que existe financiamento a grupos radicais islâmicos vindos do Brasil não é recente. Relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmava que a região de Foz do Iguaçu era um centro de apoio a grupos como o Hamas e o Hezbollah.

A ligação nunca ficou comprovada.

Para o FBI, a polícia federal norte-americana, o proprietário de um pequeno comércio de calçados e tecidos da Rua Pedro Ivo, no Centro de Curitiba, pode ser um financiador milionário da resistência contra os Estados Unidos no Iraque. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada neste domingo revela que um radialista e blogueiro americano foi re­­crutado pelo FBI para identificar extremistas brasileiros contrários aos Estados Unidos. Segundo o informante, Moutih Ibrahim, 53 anos, teria oferecido US$ 10 milhões para "prejudicar" os EUA no Iraque.

Sírio naturalizado brasileiro, Ibrahim é presidente da So­­cie­dade Árabe Brasileira e, no ano passado, foi condecorado como cidadão honorário de Curitiba. Também recebeu homenagem do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em virtude dos 60 anos da entidade.

A sociedade, segundo Ibra­him, reúne cerca de mil famílias de origem árabe em todo o Brasil e não tem ligação exclusiva com o islamismo. "Árabe não é necessariamente muçulmano. Temos uma maioria de muçulmanos, mas temos cristãos e também ju­­deus", disse.

O comerciante confirma que o encontro teria ocorrido no fim de 2005 em um café da Boca Maldita. "Esse cidadão me ligou do nada e combinou de conversar comigo. Chegando lá, me perguntou se eu queria presidir uma filial da organização dele (National Alliance) aqui."

Ibrahim teria questionado o norte-americano sobre a natureza da instituição. "Ele disse que era uma organização que pregava o ódio a semitas, ho­­mossexuais e negros. Eu disse que, se fizesse parte, estaria pregando o ódio a mim mesmo, já que sou semita. Sou primo dos judeus", diz ele, que é cristão ortodoxo.

De acordo com Ibrahim, o americano teria oferecido US$ 1 mi­­lhão para fundar a National Alliance. "Eu repeti que não me interessava, que não discrimino raças. Sou a favor do Estado palestino, mas não tenho nada contra judeus", afirma.

Ibrahim diz estar temendo pela sua vida e afirma que irá comunicar o Itamaraty e as embaixadas de países árabes em Brasília sobre o ocorrido.

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