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Irregularidades

Fiscalização no PR aplica R$ 10 milhões em multas

Na maior operação já realizada na Região Sul, fiscais vistoriaram 205 pontos com suspeita de desmatamento ilegal. Madeira apreendida encheria 100 caminhões

A maior operação de combate a crimes ambientais já realizada no Sul e Sudeste do Brasil resultou em R$ 10 milhões em multas a supostos infratores. O valor somado em duas semanas de força-tarefa no Centro-Sul do Paraná é o dobro do que foi aplicado nos seis meses anteriores pelos órgãos ambientais. A megaoperação – que recebeu o nome de Angustifolia em referência ao nome científico do pinheiro araucária – contou com mais de duas centenas de pessoas da Polícia Federal, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de órgãos estaduais – usualmente somente a região amazônica recebe um efetivo tão grande. A força-tarefa formada por fiscais e policiais de seis estados se desmanchou no sábado, depois de percorrer 205 pontos suspeitos de irregularidades – 60 a mais que o previsto – em 14 cidades da região.

A operação culminou com a prisão temporária de três políticos e três empresários paranaenses e com a interdição de 16 madeireiras. Durante a operação também aconteceram três detenções. Foram embargadas áreas equivalentes a 400 campos de futebol e fornos de carvão clandestinos também foram encontrados. A madeira ilegal localizada daria para carregar 100 caminhões. A intenção é transformar as toras apreendidas em material para construção de casas populares.

Durante meio ano, o serviço de inteligência da Polícia Federal em terra, auxiliado por imagens feitas a partir de sobrevoos de helicóptero, identificou indícios de crimes ambientais. Os casos previamente localizados motivaram a operação – como forma de verificação in loco das suspeitas. Os presos teriam cometido, na avaliação da PF, 15 tipos de delitos – entre ambientais, penais e financeiros – que poderão somar várias dezenas de anos de prisão. Entre os crimes estão formação de quadrilha, falsificação de documentos, corrupção e desmate irregular.

O foco do trabalho foi verificar denúncias de desmatamento e outros delitos ambientais, mostrados numa série de reportagens publicada pela Gazeta do Povo em março. As fiscalizações partiram de um estudo de prioridade de área de combate ao desmatamento. O levantamento foi realizado em parceria pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Ibama, em todo o Brasil. E, no Paraná, o mapa apontou que a região mais afetada e que exige mais atenção dos órgãos ambientais é a Centro-Sul – onde estão as áreas mais bem preservadas de floresta de araucária. Essas matas ainda estariam em pé porque a topografia montanhosa e a dificuldade de acesso pelas estradas representavam desafios que podiam ser protelados enquanto outras regiões mais acessíveis eram exploradas.

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