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Destinar lugares específicos para fumantes em shoppings e outros locais públicos não resolve nada para o procurador de Justiça Edilberto de Campos Trovão – na verdade, só piora o que ele chama de "caça às bruxas", que já tem quase três décadas de existência. "Trancar as pessoas em um lugar para fumantes é como nos deixar em exposição para quem está do lado de fora", compara. Fumante há cerca de 40 anos, ele diz saborear cada um dos 40 cigarros que fuma por dia e ressalta que sua posição não tem nenhuma relação com seu trabalho no Ministério Público Estadual.

"A discriminação está em todos os ambientes", afirma o procurador, que não fuma em hospitais nem em táxis, a não ser que o motorista permita, mas não pensa duas vezes antes de acender seu cigarro em bares, restaurantes e shoppings. "Aeroporto, por exemplo, é um lugar naturalmente tenso. Por que não podem acender um cigarro para se acalmarem?", questiona.

Trovão defende que as áreas para fumantes, em vez de serem um "cercadinho" para quem quer acender um cigarro, ofereçam os mesmos serviços que o espaço livre de cigarro. Supermercados, por exemplo, teriam duas áreas isoladas, oferecendo gôndolas com os mesmos produtos dos dois lados. "Vestuário não, eu concordo. Ninguém quer comprar roupa com cheiro de cigarro", completa. Autor do "Manifesto Tabagista Brasileiro", que pretende publicar por conta própria, Trovão pedirá aos fumantes que deixem de ir aos shoppings e criem uma lista negra na internet de locais que barram o cigarro.

Para o procurador, a política brasileira é ambígua em relação ao cigarro. "O combate ao fumo é politicamente correto, ganha voto. A indústria tabagista não reclama porque do contrário perde os subsídios à plantação de fumo, disfarçados de financiamento. E ao governo não interessa perder uma renda de R$ 30 bilhões, que seria o prejuízo (com arrecadação de impostos) se todas as fábricas de cigarro de repente deixassem o país", diz. Ele acrescenta ainda que o cigarro faria bem à saúde. "A nicotina aumenta a produção de dopamina, substância cuja falta provoca Mal de Parkinson", argumenta.

Sobram críticas também para os anti-tabagistas. "Eles não estão preocupados com a minha saúde, só não admitem que é o cheiro que incomoda", afirma, lembrando ainda os argumentos ambientais contra o fumo. "Um minuto de carro parado no semáforo lança tanto monóxido de carbono na atmosfera quanto 80 maços de cigarro. Algum anti-tabagista parou de usar carro?", pergunta.

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