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Diretor de Mobilidade Urbana da Volvo América Latina, Ayrton do Amaral Filho conversou com a Gazeta do Povo a respeito dos questionamentos levantados pela comissão que avaliou a Pesquisa de Manifestação de Interesse (PMI) sobre eletromobilidade, da prefeitura de Curitiba.

Uma das principais ponderações trazidas é quanto ao aspecto jurídico. A comissão da Urbs considerou o projeto “inviável”, já que o modal ônibus já opera dentro do município, com um contrato que vale para o modelo atual e concessão que só encerra em 2025.

O sistema Civi é uma nova tecnologia e a introdução de uma nova tecnologia está considerada nos atuais contratos de concessão do município de Curitiba. Por ser uma nova tecnologia a comissão de avaliação do PMI retirou 20% do total de pontos do projeto por não ter similares operando em outras cidades. Nosso entendimento é que o Civi é um sistema de transporte inovador e não apenas um novo ônibus.

A ideia do consórcio que a Volvo integra é de que o Civi seria implantado como um novo projeto, com nova licitação? Se sim, como resolver este imbróglio jurídico?

Não há limitação técnica e jurídica para a realização de uma nova licitação. A consideração de inviabilidade deixa de existir quando temos no consórcio Civi boa parte das empresas operadoras dos contratos atuais de concessão de Curitiba. O consórcio Civi está aberto para receber os demais operadores, deste modo permitindo a transição para o novo modelo de forma natural com os atuais operadores das troncais apresentadas no projeto.

A Urbs aponta uma série de custos que não foram levados em conta no projeto original, como a convivência das estações atuais e antigas e instalação de estações em vias paralelas. Ressalta, ainda, que o projeto foi calculado com base no total de passageiros transportados, e não nos chamados passageiros pagantes equivalentes, utilizados hoje no cálculo do município. Estas mudanças não tornam o projeto inviável, do ponto de vista financeiro, da forma como foi apresentado?

Todas as estações tubo e terminais que fazem parte do projeto Civi tem seus investimentos e custos de operação e manutenção considerados na modelagem econômico-financeira do projeto. As atuais instalações e tubos existentes nas troncais propostas pelo Civi serão substituídas ou reconstruídas para estar no mesmo padrão de qualidade do projeto.

O projeto foi calculado com base nos passageiros pagantes. Na modelagem econômico-financeira de um projeto PPP são considerados apenas os passageiros pagantes.

Não seria necessário um grande reajuste para compensar estas diferenças, o que poderia pesar para o usuário?

Não, pois na modelagem econômico-financeira de um projeto PPP são considerados apenas os passageiros pagantes, pois as gratuidades devem ter outras fontes de recursos que não fazem parte do projeto. As gratuidades não comprometem o projeto, ao contrário, podem melhorar ainda mais a equação financeira se forem devidamente ressarcidas pelo poder público, como deve ser em um projeto PPP.

Ainda, o cálculo não levou em conta a queda no número de passageiros, sendo que esta é uma tendência na cidade de Curitiba. Por que não?

Toda a modelagem levou em conta os passageiros atuais e um crescimento na mesma proporção indicada pelo IBGE para Curitiba de 1,36% ao ano. Eventuais modificações para mais ou menos serão reajustadas ano a ano de acordo ao proposto no contrato de PPP, para manter o equilíbrio econômico-financeiro durante toda a vida do projeto.

Por outro lado entendemos que o Civi será muito mais atrativo para a população por ser mais rápido, pontual e confortável. A tecnologia aplicada em gestão, a informação aos passageiros, o ganho no tempo nas viagens, a segurança e o conforto das estações e terminais irão atrair novos passageiros, invertendo a curva de queda atual.

Os ônibus da tecnologia Euro 6, propostos para o Civi, são articulados. Enquanto o BRT atual de Curitiba funciona com biarticulados. O projeto protocolado na prefeitura não fala explicitamente em aumento da frota. Como conciliar esta conta para dar conta da demanda atual? Em especial em trechos em que o Civi substituiria o BRT, como a linha Norte-Sul?

A frota proposta para o Civi foi calculada com base na demanda atual de cada eixo proposto, considerando a maior velocidade operacional do Civi comparado a situação atual. O início da operação com Articulados Híbridos atende perfeitamente a demanda existente porque a velocidade média aumenta mais de 70% na Norte-Sul ( de 17 km/h para 30 km/h), por exemplo, compensando com folga a maior capacidade do Biarticulado. No futuro, quando a demanda de passageiros indicar novos Articulados ou Biarticulados híbridos de maior capacidade serão incorporados ao sistema, permitindo um aumento de capacidade do sistema em 50%.

De forma geral, a comissão avaliadora indicou que o Civi não seria um projeto interessante para substituição do BRT atual, mas que pode ser aproveitado em futuros projetos e licitações para eixos que venham a ser melhor desenvolvidos, na cidade de Curitiba. Não parece ser a ideia do consórcio, já que o projeto protocolado aparenta priorizar o eixo norte-sul. Por que disso? Acredita que o Civi pode ser repensado neste modelo (novos eixos)?

O conceito Civi soluciona e qualifica o sistema de transporte de Curitiba e região, servindo tanto para introduzir essa nova tecnologia nos eixos atuais quanto nos futuros. Nossa proposta é melhorar a qualidade de vida dos 450 mil passageiros diários que utilizam os 5 eixos propostos pelo Civi.

Os atuais eixos são os que mais necessitam de avanços e inovação, e o Civi é uma solução. É a evolução do transporte público e Curitiba poderá voltar a ser referência mobilidade inteligente e criativo. O Civi é viável no investimento necessário, na rapidez da sua implementação e na qualidade do serviço prestado aos passageiros.

Por fim, quanto ao túnel, a comissão alegou falta de detalhamentos técnicos no projeto, como projetos de topografia e terraplanagem. Em evento na Fetransrio, o senhor comentou sobre uma tecnologia de escavação que permitiria duas semanas de “buraco” em cada trecho. Esta é a resposta a este questionamento? De qualquer forma, na hora de detalhar de que forma esta tecnologia pode impactar no solo curitibano, isto não pode incorrer em novo aumento de custos?

Todos os detalhamentos de infraestrutura apresentados no projeto estão de acordo com os requisitos de uma PMI, que chama-se projeto conceitual. Os detalhamentos da infraestrutura fazem parte dos projetos básicos e estruturais que são desenvolvidos nas próximas etapas de uma PPP, conforme o que for solicitado pelo edital de licitação.

Na proposta do Civi já contabilizamos eventuais complexidades. Como o túnel do projeto Civi escava apenas 8 metros de profundidade, os impactos esperados em uma futura etapa de estudos topográficos e geológicos são muito pequenos comparados aos sistemas de transporte subterrâneo, que têm que cavar túneis com 30 metros a 50 metros de profundidade.

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