Nova Déhli vista de cima. Cidade indiana é campeã de poluição, com níveis que passam frequentemente dos 150 microgramas partículas por metro cúbico, bem acima dos 10 microgramas que podem ser tolerados segundo a OMS. | Jean-Etienne Min-Duy Poirrier/Creative Commons
Nova Déhli vista de cima. Cidade indiana é campeã de poluição, com níveis que passam frequentemente dos 150 microgramas partículas por metro cúbico, bem acima dos 10 microgramas que podem ser tolerados segundo a OMS.| Foto: Jean-Etienne Min-Duy Poirrier/Creative Commons

A ciência tem enfatizado, cada vez mais, as consequências devastadoras da poluição atmosférica para a saúde. Esse mal parece ser responsável por 3 milhões de mortes todos os anos no mundo, principalmente devido às partículas (sólidas ou líquidas)presentes no ar poluído. Apenas nos Estados Unidos, o custo desses efeitos pode chegar a mais de R$ 100 bilhões por ano, apontam pesquisas recentes.

Ao mesmo tempo, a ciência tem lembrado, repetidamente, a importância da atividade física para a saúde. Mas como fica essa equação quando o cenário para essa atividade é uma cidade poluída?

Um novo estudo que considerou os prós e contras dessa situação chegou a uma conclusão: na maioria das cidades ainda é melhor se engajar em uma atividade ao ar livre, como caminhar ou andar de bicicleta, do que não fazer nada, apesar das condições de poluição. “Andar de bicicleta e caminhar fazem sentido para quase todo mundo, em quase todo o lugar”, disse Marko Tainio, um pesquisador da Universidade de Cambridge que liderou a pesquisa recentemente publicada no jornal científico Preventive Medicine. O trabalho também teve a colaboração de pesquisadores da Espanha, Brasil, Suíça e Reino Unido.

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O estudo partiu de simulações de computador para estudar os níveis de poluição do ar, de 5 a 200 microgramas por metro cúbico de partículas finas (classificadas cientificamente como PM 2.5), consideradas as menores e mais perigosas partículas para o ser humano porque podem ficar retidas nos pulmões. Ao mesmo tempo, a pesquisa considerou períodos de zero a 16 horas de atividades físicas em qualquer tipo de ambiente.

Níveis de poluição do ar, é importante ressaltar, variam enormemente entre cidades mundo afora. A média para partículas do tipo PM 2.5 nas cidades do mundo hoje é de 22 microgramas por metro cúbico. Mas em Nova Délhi, na Índia, a cidade mais poluída do mundo segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa quantidade está em 153 microgramas por metro cúbico.

De acordo a OMS, a quantidade diária máxima aceitável para o ser humano é de 10 microgramas por metro cúbico. Isso quer dizer que muitas cidades, embora distantes dos níveis registrados em Délhi, possuem quantidade de partículas de poluição no ar bem acima do que pode ser tolerado.

A pesquisa conduzida por Cambridge aponta que em cidades com níveis de poluição próximos da média global (22 microgramas de partículas por metro cúbico) os benefícios das atividades ao ar livre compensam os riscos, mesmo se o cidadão passar muitas horas diárias praticando tais atividades.

É apenas quando os níveis de partículas sólidas excedem 100 microgramas por metro cúbico no ar que essa equação começa a ficar perigosa. Ainda assim, os efeitos benéficos dos exercícios são maiores, considerando até uma hora de bicicleta ou ainda até 10 horas de caminhada diárias.

Ou seja, a não ser que você trabalhe, por exemplo, como mensageiro em cima de uma bicicleta e em uma cidade particularmente poluída, os riscos de uma atividade ao ar livre não são suficientes para barrar seus benefícios. Nesses lugares super poluídos, andar de bicicleta apresenta mais riscos que caminhar. “É depois de mais de 45 minutos andando de bicicleta diariamente que os riscos aumentam [nesses lugares]”, observa Tainio. “Andar é mais seguro nesse contexto”.

A pesquisa levou em conta os riscos da prática de atividades diárias, com uma certa regularidade. “A poluição é uma questão importante. [Mas] nós só quisemos dizer que não é uma razão para você não se exercitar”, disse Tainio.

Tradução: Fabiane Ziolla Menezes
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