
O governo do presidente Lula encerra seu terceiro ano de mandato com indicadores alarmantes na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Apesar das promessas de erradicar o que o petista classificou como genocídio, os dados oficiais do Ministério da Saúde revelam que o número de óbitos entre os indígenas superou os registros do governo anterior, evidenciando falhas na execução de ações humanitárias e de segurança.
Qual é o balanço oficial de mortes na terra yanomami nos últimos anos?
Os números oficiais do Ministério da Saúde apontam uma realidade preocupante para a comunidade yanomami. Entre os anos de 2023 e 2025, correspondentes aos três primeiros anos do governo Lula, foram registradas 1.138 mortes no território. Esse montante é superior ao acumulado no mesmo período da gestão de Jair Bolsonaro, que contabilizou 951 óbitos entre 2019 e 2021. Embora o governo federal atual argumente que os dados de anos anteriores sofriam com a subnotificação, as estatísticas confirmadas mostram que a crise humanitária e de saúde na região ainda não foi controlada como o prometido.
Quais foram as principais causas desses óbitos e o que o governo prometeu?
O presidente Lula assumiu o poder garantindo que levaria dignidade e atendimento médico permanente às comunidades, evitando que os indígenas precisassem se deslocar até Boa Vista para tratamentos básicos. Contudo, as causas das mortes mostram que doenças evitáveis continuam sendo fatais. Entre as principais ocorrências registradas na gestão petista estão 219 óbitos por infecções respiratórias agudas, 104 por desnutrição e 47 por malária. Esses problemas persistem mesmo com o envio de mais profissionais de saúde, esbarrando em dificuldades logísticas graves e na dependência extrema de transporte aéreo.
Como está a situação do garimpo ilegal após as operações federais?
Uma das bandeiras centrais do governo era a expulsão definitiva dos cerca de 20 mil garimpeiros que atuavam na região com o incentivo da gestão anterior. De fato, o governo federal realizou ofensivas, destruiu equipamentos e apreendeu materiais ilícitos. No entanto, relatórios do Senado Federal indicam que a atividade ilegal não desapareceu. Pelo contrário, grupos criminosos armados e o crime organizado continuam presentes no território, dificultando o controle estatal e mantendo a insegurança. A promessa de uma solução rápida deu lugar ao reconhecimento de que se trata de uma batalha complexa de longo prazo.
Por que os recursos destinados à região não resolveram o problema?
Apenas em 2024, o governo anunciou a liberação de R$ 1 bilhão em crédito extraordinário para ações destinadas ao povo yanomami, além da criação de novos institutos federais. Entretanto, o aporte financeiro não se traduziu em melhorias imediatas devido a falhas críticas na execução orçamentária e na gestão das obras. Documentos do Senado revelam que intervenções essenciais, como a reforma da Casa de Saúde Indígena Yanomami, ficaram inacabadas. Além disso, problemas de logística impedem que medicamentos cheguem às aldeias e que pacientes em estado grave sejam removidos a tempo, resultando em tragédias evitáveis.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





