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Uma servidora da rede estadual de São Paulo foi afastada do cargo de dirigente após recomendar a leitura de biografias de líderes de regimes totalitários como Adolf Hitler e Benito Mussolini. O episódio ocorreu durante uma capacitação sobre desenvolvimento de lideranças ministrada por ela a diretores escolares, no último dia 12.
“Podem ler biografias no geral, é estimulante ler biografia, mesmo dos maus. Salazar na Espanha (sic), Mussolini na Itália”, afirmou durante a reunião.
Após a repercussão do caso, a servidora foi afastada da direção da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes (SP), responsável pela coordenação de 67 escolas estaduais da região.
Obra de Hitler é estudada em contextos históricos e acadêmicos
A servidora também citou Mein Kampf ("Minha Luta", em português), livro escrito por Adolf Hitler, no qual o ditador expõe ideias centrais do nazismo, como a suposta superioridade da “raça ariana”, a perseguição aos judeus e o nacionalismo extremo.
Após a Segunda Guerra Mundial, a republicação da obra foi bloqueada na Alemanha por décadas pelo governo da Baviera, que detinha os direitos autorais do livro. Com a expiração desses direitos, em 2016, a obra voltou a circular oficialmente no país em edições críticas comentadas por historiadores.
"'Mein Kampf, Minha Vida', do Hitler, é tão estimulante [que] se eu tirar o nome, ele convence países, jovens e nós até hoje. Por isso que ele foi proibido a reprodução. Mas a gente sabe qual era o caminho de Hitler. Mas ele era um líder excepcional, isso ninguém pode negar", declarou a servidora durante o encontro virtual.
A legislação brasileira criminaliza a promoção, a divulgação e a apologia ao nazismo. A obra citada, porém, pode circular legalmente no país e costuma ser estudada em contextos acadêmicos, históricos e educacionais.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a servidora foi afastada da função e que apura as declarações. "A Seduc-SP reforça que não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública do Estado de São Paulo e que a declaração não representa, em hipótese alguma, o posicionamento da pasta", afirmou.





