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águas do amanhã

Gordura causa “infarto” em rede de esgoto

Sem caixa de retenção, resíduos de pias entopem tubulações e poluem rios. Vereadores aprovam lei para tentar reverter a situação

Em uma das esquinas da Via Vêneto, em Santa Felicidade, a gordura entupiu o poço da Sanepar | Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Em uma das esquinas da Via Vêneto, em Santa Felicidade, a gordura entupiu o poço da Sanepar (Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo)
O gerente operacional Ubirajara Pereira mostra uma das caixas que fazem a retenção da gordura |

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O gerente operacional Ubirajara Pereira mostra uma das caixas que fazem a retenção da gordura

Almoçar nos restaurantes de Santa Felicidade é uma velha tradição dos curitibanos e dos turistas em visita à capital paranaense. Porém, a maioria não sabe que a gordura e o óleo gerados principalmente nas cozinhas dos estabelecimentos que lidam com comida – não apenas nos do famoso bairro italiano – provocam graves im­­pactos ambientais e afetam as redes coletoras de esgoto. Isso acontece porque a maior parte dos imóveis (residenciais e comerciais) não possui caixas de retenção de gordura, que reduziriam a contaminação da água por esse tipo de resíduo.

"Na rede coletora, a gordura funciona da mesma forma que em nossas veias. Ela vai represando e fechando a tubulação, o que gera refluxo (de esgoto) nas casas", explica Ernani José Ramme, coordenador de operações de redes da Unidade Regional Curitiba Norte da Sanepar. O resíduo acumulado, também chamado de borra, vai se petrificando e se misturando a outros materiais, inclusive panos, fraldas e até roupas íntimas jogados diretamente no vaso sanitário.

Refluxo

Além de provocar refluxo nas casas, romper tubulações e causar mau cheiro, a gordura faz travar bombas nas estações de tratamento de esgoto (ETEs) e compromete a atividade biológica do processo de depuração da água, além de gerar extravasamentos de efluentes para os rios. Pior mesmo só quando o esgoto é lançado diretamente nos córregos. Para se ter uma ideia, tira-se de uma ETE cerca de 600 metros cúbicos por mês de escuma – substância resultante da gordura presente nos efluentes. So­­­mente na parte norte da rede coletora da Sanepar na capital, 30% dos serviços de manutenção por obstrução são provocados por acúmulo de gordura.

Na última terça-feira, a re­­­portagem da Gazeta do Povo acompanhou uma equipe da Sanepar que vistoriou alguns poços de visita (PVs) na região dos restaurantes em Santa Felicidade. Os PVs servem para monitorar e fazer a manutenção da rede. Ao abrir um poço na esquina da Rua Saturnino Miranda com a Via Vêneto, os técnicos encontraram uma massa de gordura impedindo a passagem do esgoto. "Há dois meses fizemos a última manutenção preventiva aqui. Agora já está no limite de novo", explica Osvaldo Luiz Nolli, gestor de manutenção de redes da Sanepar. Para retirar os resíduos, é preciso usar hidrojateamento e, nos casos mais graves, produtos químicos fortes.

Exigência

Por causa desses transtornos, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou recentemente um projeto de lei do vereador Omar Sabbag Filho que obriga a instalação de caixas de gordura em todos os imóveis da cidade. A iniciativa altera o atual código de posturas do município, acrescentando a nova exigência. Reformado em 2004, o código deixou de fora a obrigatoriedade da caixa, até então prevista na legislação anterior, de 1953. Atualmente, a nova proposta está em análise na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e no departamento jurídico da prefeitura para depois ser encaminhada à sanção do prefeito Luciano Ducci.

"Tudo indica que será aprovada. Houve inclusive consultas técnicas nas secretarias de Meio Ambiente e Urbanismo e a prefeitura não apresentou nenhum impedimento", explica Sabbag Filho. Em relação à aplicação da lei, o vereador diz que caberá à Sanepar e à prefeitura fiscalizar os imóveis.

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