Metas do milênio

Presidente defende contratações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem no Planalto, em evento de lançamento das Metas do Milênio, a necessidade de contratações no serviço público e rechaçou críticas quanto a "inchaço da máquina". "A gente jamais poderia cumprir as Metas do Milênio no que diz respeito à questão ambiental se não tivéssemos coragem contra as críticas de que cada funcionário que a gente contrata está inchando a máquina", afirmou.

Neste mesmo evento, Lula afirmou só ter dois anos e meio de experiência de governo. "Se tiver uma boa parceria, aquilo que eu chamo de uma boa cumplicidade, em relação às Metas do Milênio, nós poderemos, no caso do Brasil, atingi-las antes do período (2015). E digo isso por dois anos e meio de experiência. Eu digo dois anos e meio de experiência, porque quando a gente ganha as eleições, passa um ano inteiro debatendo para corrigir o orçamento que você herdou, que foi feito no governo anterior. No nosso caso, nós tivemos que fazer um corte de R$ 14 bilhões no orçamento e ainda tivemos R$ 10 bilhões de restos a pagar, somam-se R$ 24 bilhões", disse Lula.

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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem que o governo pretende abrir os arquivos do período da ditadura militar. Segundo ele, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deverá ser a responsável pelo trabalho. Ele negou que haja resistência por parte dos militares em dar continuidade às investigações. Mas não detalhou como será executada esta etapa das apurações.

"Nós queremos contribuir e trabalhar para que a sociedade brasileira feche a página desta história, vire a página de uma vez por todas e que a gente possa construir um futuro com muito mais solidariedade", disse o presidente, depois de cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do livro "Direito à Memória e à Verdade", que relata detalhes da ditadura militar no Brasil.

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Durante a solenidade de lançamento do livro, não havia militares presentes. O documento, de 500 páginas, conta a história dos 11 anos de trabalho da comissão especial que analisou 479 casos, entre eles de desaparecidos e mortos.

Porém, o presidente negou que ocorra algum tipo de resistência da parte dos militares em dar continuidade às investigações. "Acho que há vontade dos militares e da polícia. O que nós vamos fazer é aquilo que temos condições de fazer", destacou Lula.

Segundo Lula, a comissão especial que analisa os processos que tratam das vítimas do período militar deverá ser ampliada. Sob a coordenação da ministra Dilma Rousseff, a comissão entrará em uma nova etapa. "A comissão vai ser ampliada, vamos ver quais as dificuldades, preparar novos membros e continuar o debate. É um debate que tem ressentimento, que tem dor e lágrima, mas é preciso fazer pela sociedade e vamos fazê-lo", disse o presidente.

Dando a entender que é a favor da abertura dos arquivos, o secretário Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) disse que o silêncio não contribui em nada. "O silêncio e a omissão não permitem a idéia de reconstituição, sobretudo, o direito de 180 famílias de sepultar os mortos. As informações têm de ser prestadas", afirmou.

Emoção

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A cerimônia de lançamento do livro foi marcada por emoção. A mãe do estudante Fernando Augusto dos Santos, desaparecido em 1974, provocou lágrimas na platéia e fez o presidente levantar da cadeira para abraçá-la. "O senhor, por favor, dê uma resposta breve porque já estou com a idade avançada", afirmou Elzita Santos, dirigindo-se a Lula, apelando para que mantenha as investigações relativas ao período da ditadura.

Criada em 1995, a comissão especial é responsável pelas análises de processos de vítimas da ditadura. De lá para cá foram julgados 339 casos e concedidas indenizações que variam de R$ 100 mil a R$ 152,5 mil. Segundo Marco Antônio Rodrigues Barbosa, um dos coordenadores da comissão, o trabalho executado é, sobretudo, de "reconstituição da memória". "A morte deles (vítimas da ditadura) não foi em vão", disse.