A greve dos peritos médicos do Instituto Nacional da Previdência Social (INSS) vai completar um mês na quinta-feira (22) e está prejudicando o atendimento à população. Segundo a Associação Nacional dos Peritos Médicos (ANPM), 95% dos 5,4 mil profissionais aderiram à paralisação. Com a grande adesão, os médicos trabalham em sistema de rodízio para atender os usuários. No Paraná, o tempo de espera pelo atendimento subiu de 60 para 120 dias.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que pelo menos 50% do atendimento seja mantido. Caso contrário, a associação pode receber uma multa diária de R$ 50 mil. No Paraná, a situação é pior em Curitiba, onde as consultas estão sendo remarcadas para dezembro, segundo o médico Fabio Fontes Faria, delegado suplente da associação no estado e representante do comando de greve. De acordo com informações da gerência executiva do INSS em Curitiba, até o dia 13 de julho, 26 dos 38 médicos peritos da capital, RMC e litoral aderiram à paralisação.

No interior, a situação é um pouco mais tranquila, porque menos peritos estão participando da paralisação. Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, os cinco médicos não aderiram ao movimento. Já em Cascavel, na região Oeste, onde há 12 peritos, a participação é parcial e as novas consultas são agendadas para a segunda quinzena de agosto.

O Paraná tem cerca de 200 peritos médicos, que são divididos em cinco regionais (Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel). O atendimento é feito com prioridade para deficientes, idosos e gestantes.

Reivindicações

Os peritos têm três reclamações principais: segurança no trabalho, tempo de espera e contratação de mais profissionais. Segundo Raquel Fernandes Prazeres Scheffel, delegada da ANMP no Paraná, os peritos sofrem com muitos casos de violência e desacato. De acordo com a médica, há muitos casos em que o segurado não concorda com o laudo médico e acaba agredindo o perito.

Os médicos também questionam a fila de pacientes esperando por uma perícia. Eles não concordam com uma nova determinação que permite ao segurado que teve o parecer da perícia negativo remarcar o exame quantas vezes quiser. Antes, esse segurado só poderia refazer a perícia depois de 30 dias.

Outra reivindicação é para a contratação demais profissionais. De acordo com o médio Fábio Fontes Faria, há muitos médicos que pediram a exoneração ou devem se aposentar nos próximos dois anos. Além disso, a previsão é de que mais 750 agências com perícia médica sejam abertas. Sendo assim, o número de peritos chamados no último concurso é insuficiente para atender a toda essa demanda. Foram selecionados 500 peritos para atender todo o Brasil e apenas nove para o Paraná.

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