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Imigração

Há 150 anos, os Hauer fincavam o pé no Brasil

Família de imigrantes germânicos formou império econômico em Curitiba no século 19, contribuindo para a formação social e cultural da cidade

  • Diego Antonelli
Carlos Hauer e a foto do bisavô Roberto, irmão de José: exposição retrata os 150 anos da presença da família no país |
Carlos Hauer e a foto do bisavô Roberto, irmão de José: exposição retrata os 150 anos da presença da família no país
 
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Há 150 anos, os Hauer fincavam o pé no Brasil

Depois de passar dois meses e meio em um navio atravessando o Oceano Atlântico, José Hauer Senior, então com 22 anos, desembarcou na Região Sul do Brasil. Como ele, milhares de outras pessoas no decorrer da segunda metade do século 19 resolveram abandonar a Europa e tentar a sorte no Novo Mundo. Grande parte dos imigrantes era de origem germânica.

Como descreve a historiadora Pamela Fabris, naquela época os territórios alemães passavam por uma série de mudanças de ordem econômica, política e social. “Em decorrência disso, milhares de germânicos deixaram suas terras, bens, familiares, amigos e amores em busca do desejo de uma vida mais digna e justa”, afirma.

Nascido em Breslau (hoje parte da Polônia), José Hauer foi um dos imigrantes que mais se destacou e contribuiu para a história de Curitiba e, consequentemente, do Paraná. Filho de Anton Hauer e Francisca Teichmann, ele chegou em agosto de 1863 à então colônia Dona Francisca (atual Joinville), famoso reduto de imigrantes de origem alemã. No entanto, em pouco tempo, subiu a serra e estabeleceu-se em Curitiba, em outubro de 1863. Foi na capital do estado, cuja emancipação política completava apenas dez anos (antes pertencia à Província de São Paulo), que José deu início aos seus empreendimentos com uma oficina de seleiro (selas para montaria).

Pamela relata que logo ele se casou com Thereza Weiser, com quem teve sete filhos. “Em Curitiba, a família presenciou e participou do processo de modernização. Entre os sinais de uma cidade que se modernizava estava o crescimento do comércio e da indústria”, ressalta a historiadora. José Hauer e alguns dos filhos, como José, Paulo e Bertholdo, viraram comerciantes reconhecidos na cidade. Entre os seus estabelecimentos estavam a Casa Metal, o Chic de Paris e O Louvre, três locais de destaque na Curitiba do início do século 20. Bertholdo também seguiu a carreira política. Foi deputado estadual em 1917 e cônsul da Áustria no Paraná.

Antes, José regressou à Alemanha para convencer seus 12 irmãos a seguirem o mesmo caminho. Todos vieram contribuir na construção da história curitibana.

E se fez a luz

Entre os fatos que marcaram o nome Hauer na história destaca-se o advento da luz elétrica. Em 1892, a eletricidade passou a funcionar em Curitiba. “Mas foi com as empresas dos Hauer que a luz elétrica alcançou um número maior de beneficiados”, assinala Pamela. Em maio de 1898, a empresa José Hauer & Filhos adquiriu a concessão do contrato da usina elétrica e aumentou a sua capacidade. Curitiba já tinha uma população estimada em 40 mil habitantes. Posteriormente, a empresa Hauer Júnior & Companhia tornou-se responsável pela eletricidade da cidade até 1910, quando a The Brazilian Railways Limited assumiu a concessão.

Família deu nome a dois bairros

Nas décadas posteriores à chegada, a família Hauer construiu um verdadeiro império econômico em Curitiba. Diversos membros investiram no comércio de secos e molhados, tecidos, laticínios, ferragens, construção civil, agropecuária, cutelaria e transporte, entre outros. Também foi proprietária de extensos lotes de terra nos arrabaldes do Centro de Curitiba, mais especificamente nas regiões onde hoje se encontram os bairros Lindoia, Fanny e Hauer.

Segundo a historiadora Pamela Fabris, os dois últimos carregam até hoje em seus nomes homenagens diretas à família. Fanny foi esposa de Arthur Hauer, filho de Roberto Hauer. Coube a Roberto, irmão do precursor José, a compra de 700 alqueires de terra. “Foi nesse território comprado por Roberto que esses bairros foram se formando e se consolidando”, relata Carlos Hauer, bisneto de Roberto.

No dia 13 de julho de 1908, Roberto morreu tragicamente depois de um acidente com sua serra circular. Era proprietário de um comércio de secos e molhados, uma fábrica de óleo de linhaça e uma serraria. Deixou inacabado seu projeto de montar uma fábrica de licor de marmelo.

“Atualmente, uma parte da família vive em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Contudo, a grande maioria permaneceu em Curitiba”, diz Pamela. Como exemplo, cita a casa, também conhecida como Castelo Hauer, construída por José Hauer Senior na Rua do Rosário, na região do Largo da Ordem. “Conta-se que o pioneiro dos Hauer no Brasil mandou construir uma torre junto de sua casa para que nas horas vagas pudesse contemplar a Serra do Mar”, revela.

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