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O HC acumula uma dívida de R$ 10 milhões | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
O HC acumula uma dívida de R$ 10 milhões| Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo

VOTAÇÃO

Conselheiro prevê decisão dividida sobre adesão à Ebserh

Membro titular do Conselho Universitário, Daniel Mittelbach crê que a votação para a adesão ou não do HC e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral à Ebserh será dividida. Ele lembra quem, em 2012, a proposta já havia sido rejeitada. "Nós discutimos na oportunidade muito sobre isso e o Conselho por unanimidade rejeitou a adesão", afirma. O Conselho é formado por 53 membros. "Não há uma única linha de pensamento", observa.

Segundo Mittelbach, que é um dos cinco representantes dos servidores técnicos no Conselho, a estatal não é a melhor solução para os problemas financeiros e para falta de profissionais nas instituições. "Em relação a pesquisa, por exemplo, a universidade manterá certa autonomia. Mas administrativamente estará atrelada à Ebserh", pontua. A maior preocupação, segundo ele, é uma eventual mudança nas características do hospital. "Hoje, o HC é um hospital-escola e com a Ebserh a tendência é que se transforme em um hospital assistencialista, deixando de lado o hospital voltado para o ensino, que é a sua principal razão de existir." (DA)

O assessor de planejamento da Ebserh, Luiz Aquino, afirma que essa mudança não irá ocorrer. "O Hospital de Clínicas continuará voltado e focado em suas pesquisas. O que faremos é gerenciar financeiramente e também em relação à contratação de pessoal", diz. Segundo ele, o diretor-geral do HC será indicado pela Reitoria. Os cargos de gerentes de assistência, ensino e pesquisa e administração serão ocupados por pessoas previamente indicadas por ela e que deverão ser aprovadas pela Ebserh.

A Universidade Federal do Paraná irá propor à Empresa Brasileira de Serviços Hospi­­­talares (Ebserh) para que seja formalizado em contrato um prazo para que os 916 funcionários da Fundação da UFPR (Funpar) continuem atuando no Hospital de Clínicas. A ideia é realizar, até 2018, a gradual substituição desses trabalhadores. O Conselho Universitário deve deliberar sobre a adesão ou não à empresa estatal antes do início da Copa do Mundo, dia 12 de junho, ou seja, em até duas semanas. O prazo estipulado pelo Tribunal Regional do Trabalho é até o dia 19 do próximo mês.

Segundo o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, o objetivo é assegurar que a maioria dos trabalhadores da Funpar permaneça no HC até a aposentadoria. "Vamos propor que o contrato de adesão à Ebserh explicite o prazo que eles ficarão no hospital. São profissionais de difícil substituição", afirma. Ele explica que essa substituição seria realizada por escalas, ou seja, aqueles que se aposentarem ao longo desse período deixariam o quadro da instituição. "Não temos ainda a certeza de que a Ebserh irá aceitar essa proposta", diz.

Akel calcula que até 2018 pelo menos 60% dos funcionários da Funpar já terão se aposentado. "Para os demais a gente irá, pelo menos, ofertar um curso preparatório a partir de julho para ingressar no HC através do concurso público da Ebserh", explica.

Caso o Conselho Univer­sitário aprove a adesão à empresa estatal, o concurso público deverá ser realizado em outubro. O processo seletivo deverá ser aberto para um total de 2.063 servidores – sendo 1.540 para o HC e 523 para a Maternidade Victor Ferreira do Amaral. A quantidade de vagas foi baseada no déficit de funcionários diagnosticado pela Ebserh. "O modelo de contrato que articulamos perante a Ebserh será de gestão compartilhada, que irá assegurar as pesquisas realizadas no HC e o perfil de hospital-escola", reforça o reitor.

Com os novos funcionários, o hospital pretende reabrir os 139 leitos desativados – de um total de 550 – e colocar em atividade outros 110 leitos, totalizando 660 vagas. "Vamos abrir leitos de alta complexidade, que geram mais receita via SUS, como oncologia, psiquiatria, ortopedia e neurocirurgia."

Dívida

A dívida de R$ 10 milhões gera dificuldades ao HC. Segundo Akel Sobrinho, em algumas oportunidades faltou verba para a compra de suprimentos – fato que já havia sido revelado por funcionários em outras oportunidades. O reitor explica ainda que a instituição gasta mais do que recebe. "Isso inviabiliza algumas compras. Conversei com o Ministério da Educação e devemos conseguir sanar o problema em poucos meses."

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