
Sob o mar ao norte da Nova Zelândia, na Baía de Matauri, o casco submerso e enferrujado da embarcação hoje abriga peixes, moluscos e corais. Em meio aos despojos do naufrágio, a vida se renova. Na noite de 10 de julho de 1985, a alguns quilômetros dali, no porto de Auckland, o navio do Greenpeace Rainbow Warrior I descia ao fundo do Oceano Pacífico com dois rombos no casco, provocados por bombas colocadas por agentes do serviço secreto francês.
Na ocasião, o barco estava sendo preparado para liderar uma pequena esquadra que iria protestar contra os testes nucleares realizados pela França no Atol de Mururoa, na Polinésia Francesa. Além dos prejuízos materiais e da interrupção súbita nas ações da organização não governamental, o atentado ceifou a vida do fotógrafo português Fernando Pereira, integrante da ONG.
Símbolo da luta pelas causas ambientais, a Rainbow Warrior (os ativistas do Greenpeace se referem ao barco como “ela”, a “Guerreira do Arco-Íris”) é tida desde o fim dos anos 1970 como um ícone do enfrentamento e da ousadia – por vezes controversa – da ONG ante a ganância de petrolíferas, a inconsequência de governos e seus experimentos atômicos ou a caça desenfreada de baleias. Se por um lado o atentado deixou um rastro de morte e destruição, por outro parece ter renovado o fôlego dos ambientalistas, não só do Greenpeace. O martírio do barco e de sua tripulação em águas neozelandesas aproximou as lutas dos ativistas dos holofotes da mídia, atraindo a atenção de cidadãos ao redor do mundo. Hoje, mais do que nunca, são as doações desses cidadãos que patrocinam as atividades da ONG.

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2011: a Rainbow Warrior III no cais de Fassmer, em Bremen, na Alemanha, prestes a ser lançada ao mar. A terceira versão do barco foi construída especialmente para atender às necessidades técnicas e logísticas dos ativistas do Greenpeace.

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Parte da proa da Rainbow Warrior I, naufragada em 1985 após um atentado a bomba promovido pelo governo francês.

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A tripulação da Rainbow Warrior I, que naufragou em 1985. A imagem foi tirada pelo fotógrafo português Fernando Pereira, que morreu no atentado ao barco.

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Mergulhador passa ao lado do casco naufragado da Warrior I, na Baía de Matauri, na Nova Zelândia

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A Warrior afunda próximo ao porto de Auckland, na Nova Zelândia em julho de 1985. Duas bombas colocadas no casco do navio explodiram pouco antes da meia-noite do dia 10 daquele mês, levando a embarcação a pique.

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Em 2011, tripulação da Warrior coleta amostras de água do mar para analisar os níveis de radiação próximo à costa leste do Japão, nos arredores da usina nuclear de Fukushima, atingida por um tsunami em março daquele ano, o que causou vazamento de radiação.

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Julho de 1985: a Warrior I afunda em Auckland, Nova Zelândia. Incidente provocado por bombas sob o casco do navio teve enorme repercussão na época.

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O fotógrafo português e ativista ambiental Fernando Pereira morreu afogado em sua cabine ao tentar salvar o equipamento de fotografia durante as explosões que afundaram o navio.

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O que restou do primeiro navio Rainbow Warrior hoje serve de “lar” para peixes e outras espécies marinhas.

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Mergulhadora nada entre os destroços da embarcação, que hoje serve para reprodução da vida marinha.
O naufrágio não alterou a política do Greenpeace, tanto que outros dois navios denominados Rainbow Warrior prosseguiram com o legado do barco original, ao lado de outras duas embarcações da ONG: Esperanza e Arctic Sunrise. “A consequência maior do que aconteceu lá [o naufrágio] foi a organização começar a ter um cuidado maior em relação ao tipo de confronto e com quem você está lidando. Isso impacta nos nossos protocolos: como preparar esse tipo de trabalho; como avaliar melhor as reações; que risco a organização está disposta a correr; que tipo de pessoa você envolve nos diferentes projetos”, enumera Agnaldo Vasconcelos, coordenador do Departamento de Logística do Greenpeace no Brasil.
Autonomia
Os navios dão ao Greenpeace a capacidade de estar onde a ação pede, seja no gelo do Ártico para impedir a extração de petróleo, nos mares do Oriente para denunciar a pesca ilegal ou mesmo operar em locais isolados da Amazônia. Além disso, eles possuem alta capacidade tecnológica, com comunicação via satélite, internet banda larga e outros dispositivos.



