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Mulher acompanha cobertura jornalística sobre o massacre em Roraima | Vanderlei Almeida/AFP
Mulher acompanha cobertura jornalística sobre o massacre em Roraima| Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Pelo menos 31 presos (e não 33, como informado anteriormente) morreram na madrugada desta sexta-feira (6) na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), a maior de Roraima. O governo do estado informou que “a situação está sob controle” e que o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PMRR (Polícia Militar) está nas alas do referido presídio. A maioria das vítimas foi decapitada, teve o coração arrancado ou foi desmembrada. Os corpos foram jogados em um corredor que dá acesso as alas.

A chacina - considerada agora a 3ª maior do país - ocorre apenas cinco dias após uma ação da facção Família do Norte (FDN) deixar 56 detentos mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Por isso, o governo de Roraima ainda não descarta que o episódio dessa madrugada seja uma retaliação.

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A polícia estava neste presídio dos arredores da capital, Boa Vista, identificando as causas, mas as primeiras informações apontam que não se tratou de um motim, e sim de uma ação rápida de um grupo de reclusos, em menos de uma hora. Até o momento, não foram encontradas armas de fogo na prisão e a maioria dos assassinatos foram cometidos com armas brancas.

O secretário de Justiça e Cidadania do Estado, Uziel de Castro Júnior, afirmou em entrevista à Rádio BandNews que as informações preliminares dão conta que membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) “possivelmente tenham cometido esses crimes”. O jornal Folha de S. Paulo traz que o governo do Roraima acredita que as mortes na Pamc são uma reação do PCC à tragédia de Manaus. Castro Júnior declarou que as autoridades ainda não sabem o que motivou o ato, mas que equipes estão na unidade para verificar a situação.

Por outro lado, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que o fato de não haver membros de outras facções dentro do presídio enfraquece a tese de uma nova briga de facções. O ministro afirmou que vai viajar a Boa Vista nesta sexta-feira e ainda precisa “pegar mais informações” sobre o caso, mas que, num primeiro momento, as execuções parecem ter sido um “acerto interno de contas”.

“A situação dos presídios não saiu do controle. É outra situação difícil em Roraima. Roraima já tinha tido problemas anteriormente”, comentou.

A Polícia Civil de São Paulo vinha investigando se o PCC já teria repassado a “ordem” para que bandidos aliados se mobilizem para se vingar da facção criminosa FDN .

Os detentos quebraram os cadeados e invadiram a Ala 5, cozinha e cadeião onde ficavam os presos de menor periculosidade. De acordo com informações de agentes penitenciários, não houve fugas.

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CNJ avalia como ‘péssimas’ condições do presídio em Roraima

Um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que a Penitenciária Agrícola de Boa Vista possui condições “péssimas”. Segundo o CNJ, o local tem capacidade para 750 detentos, mas possui 1.398. O sistema prisional Roraima atendem atualmente quase o dobro da capacidade.

O estabelecimento é local de cumprimento de pena em regime fechado e não possui aparelho para bloqueio de celular ou oficinas de trabalho.

Segundo o relatório, na inspeção não foram encontradas armas de fogo ou instrumentos capazes de ofender a integridade física. Porém, foram apreendidos 113 aparelhos de comunicação ou acessórios.

O sistema prisional de Roraima, que conta com 17 presídios, tem atualmente um déficit de 942 vagas. Incluindo os presos que estão em delegacias, há 2.144 detentos em Roraima, ante 1.202 vagas.

Na última semana de dezembro, o governo de Roraima anunciou a construção de um presídio de segurança máxima, com previsão de iniciar as obras neste ano. Dias antes do massacre desta sexta, o governo do estado anunciou com otimismo os investimentos na área. O governo federal já liberou ao menos R$ 46 milhões para o Estado. A unidade ficará em um terreno atrás da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, com capacidade para atender 393 pessoas.

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Dez presos mortos no ano passado

Não é a primeira vez, no entanto, que o maior presídio deste estado fronteiriço com a Venezuela registra incidentes nos últimos meses.

No dia 17 de outubro, dez presos morreram na Pamc após um confronto entre facções, alguns decapitados e outros queimados vivos. No mesmo dia, oito presos foram assassinados em uma penitenciária de Rondônia.

Naquele momento, a Pamc contava com 1,4 mil internos, o dobro de sua capacidade.

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