No Congresso Nacional, uma saída de emergência está trancada com grades e cadeado, no corredor que liga o Senado à Câmara | Jorge William / Agência O Globo
No Congresso Nacional, uma saída de emergência está trancada com grades e cadeado, no corredor que liga o Senado à Câmara| Foto: Jorge William / Agência O Globo

Negligência

Congresso tem até porta de emergência com grades e cadeado

• Brasília

Os prédios de Niemeyer são a face mais conhecida da cidade, mas precisaram ser adaptados para minimizar riscos de incêndio. Na Esplanada, os prédios dos ministérios foram construídos sem escadas de incêndio, o que só foi corrigido nos anos 90. No Congresso, uma saída de emergência está trancada com grades e cadeado, no corredor que liga o Senado à Câmara.

• Rio de Janeiro

O Teatro Popular de Niterói teve modificada a disposição das cadeiras, para oferecer mais rotas de fuga. O espaço ganhou barras de proteção na lateral do "foyer" superior e 32 câmeras. Mas o teatro ainda aguarda receber a certificação do Corpo de Bombeiros.

• São Paulo

Com dez mil metros quadrados e localizada no Parque do Ibirapuera, a Oca não atende a exigências básicas de segurança, como uma segunda rota de fuga, sendo autorizada a receber pequenos eventos, com até 700 pessoas.

• Minas Gerais

Em Belo Horizonte, o conjunto arquitetônico da Pampulha, construído nos anos 1940, sofre com o descaso. No Museu de Arte há três hidrantes, mas apenas um conta com mangueira. Na igrejinha da Pampulha, há infiltrações.

O arquiteto Oscar Niemeyer teria um desgosto profundo se visse o que sobrou do auditório Simón Bolívar após o incêndio no Memorial da América Latina, no dia 29 de novembro. Esse projeto, desenvolvido com o amigo e educador Darcy Ribeiro, era o seu maior xodó. Mas ficaria ainda mais apreensivo se soubesse que muitas de suas obras pelo país sequer têm o certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros e carecem de manutenção e equipamentos adequados de prevenção contra incêndios.

Um levantamento em seis cidades revelou falhas na segurança de prédios e falta de cuidados. Construídos por Niemeyer na década de 40, a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Museu de Arte, obras do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, sofrem com o descaso. Além da ausência de alvará de funcionamento, a má conservação dos imóveis e a negligência com itens básicos de segurança expõem o conjunto a risco.

Em São Paulo, uma das obras mais famosas de Niemeyer, a Oca, no Parque do Ibirapuera, completou 60 anos em agosto. Apesar de ser um ícone, o espaço é subutilizado por não atender a exigências básicas de segurança. Conta com apenas uma rota de fuga em caso de incêndio. Para funcionar como museu, projeto da prefeitura, é indispensável que tenha ao menos outra saída. Apesar dos seus 10 mil metros quadrados, o espaço só está autorizado a receber pequenos eventos, em geral, exposições para 700 pessoas, no máximo.

No Rio, nenhum dos dez prédios pesquisados tinha o certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros. Inaugurado em 2007 e fechado por quatro anos, o Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói, foi reaberto, mas ainda espera a certificação.

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