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Um instrutor e a presidente do Instituto João Gonçalves, responsável pela apresentação de uma coreografia em um evento que acabou em polêmica após uma promotora repreender uma fala sobre Deus, deram mais detalhes sobre o acontecido. A cerimônia aconteceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no último dia 3.
Em um vídeo publicado neste sábado (11), responsáveis por uma apresentação coreográfica de crianças e adolescentes afirmaram que a apresentação foi bruscamente interrompida após a repreensão da promotora Elayne Christina da Silva Rodrigues, que afirmou ser “inconstitucional” uma citação a Deus no evento. Segundo eles, as crianças choraram com o cancelamento no meio da apresentação.
“Não sou evangélico”
O professor Hilbert Diaz, que fez a leitura das palavras com menções a Deus, a poesia “Abraço de Deus” asseverou que não é evangélico e que, ao mencionar Deus, não pretendeu realizar nenhuma vinculação a qualquer congregação cristã.
“Não sou pastor, não sou evangélico! (...) Foi um pensamento, falando de um Deus. Qual Deus? O seu Deus! O meu Deus eu sei qual é, qualquer um dos que estava lá sabia qual era o seu Deus”, declarou Hilbert no vídeo.
De acordo com sua versão, a intervenção do Ministério Público teria interrompido a apresentação de jazz que acontecia no momento da leitura do poema religioso. Diaz afirmou que era um momento de troca de figurino, no qual era necessária a pausa na dança, aproveitada por ele para a mensagem religiosa.
Choro das crianças
A presidente do Instituto João Gonçalves, Sulys Araújo, afirmou que sua filha e outras crianças choraram com a interrupção do número de dança. “Elas acharam que tinham feito alguma coisa errada”, disse Sulys.
As imagens do evento divulgadas até o momento não permitiriam afirmar que o fim da apresentação estava relacionado à interpretação da promotora Elayne, que na ocasião se disse “extremamenre ofendida” pela "oração evangélica" e se retirou do local.
Pessoas que têm familiaridade com o caso afirmaram, sob a condição de anonimato, que a versão de que o cancelamento da coreografia teria relação com a reprimenda da promotora seria verdadeira.
Outro lado
A reportagem da Gazeta do Povo contatou o MPRJ por e-mail e telefone para solicitar o posicionamento da instituição em relação às falas da promotora. No entanto, não recebeu resposta. Uma nova tentativa de contato foi feita neste sábado, sem sucesso.
A Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj) divulgou na semana passada uma nota em que manifesta sua solidariedade à promotora Elayne Christina da Silva Rodrigues.
Elayne é descrita como uma “profissional séria, competente e respeitada, com reconhecida experiência na área da Infância e Juventude, tendo sempre pautado sua atuação pela defesa da ordem jurídica, dos direitos fundamentais e dos interesses sociais indisponíveis”.
A Amperj afirma que a promotora teve por objetivo “afirmar valores constitucionais essenciais” e que o “Ministério Público, por expressa determinação constitucional”, tem como dever “zelar pelo efetivo respeito aos direitos assegurados na Constituição, especialmente quando se trata de crianças, adolescentes e demais grupos em situação de vulnerabilidade”.
De acordo com a Amperj, Elayne não pode ser vítima de “ataques indevidos ou interpretações distorcidas” e que a associação “adotará as providências cabíveis em defesa da colega e da instituição”.





