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"Protocolo Romanov"

Intelbras demite funcionário após alusão a assassinato em post sobre filhas de Flávio

Postagem original era em solidariedade às filhas de Flávio. Caio republicou com menção a episódio de execução da família Romanov pelos bolcheviques.
Postagem original era em solidariedade às filhas de Flávio. Caio republicou com menção a episódio de execução da família Romanov pelos bolcheviques. (Foto: Reprodução/X/velhoesteemo; Reprodução/X/Intelbras)

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A empresa de tecnologia Intelbras decidiu demitir o funcionário Caio Anjo Fernandes por uma publicação sobre as duas filhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 12 e 14 anos, com referência a um episódio histórico de assassinato. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (29).

"A Intelbras informa que o profissional envolvido em publicações recentes em redes sociais não integra mais o quadro de colaboradores da companhia. Reafirmamos nosso compromisso com a ética, o respeito e os princípios estabelecidos em nosso Código de Ética e Conduta", diz o comunicado.

O gatilho foi uma publicação do psicanalista e especialista em marketing político Jorge Lopes Cançado. O texto era de solidariedade às filhas de Flávio diante da saída repentina do país após a derrota nas eleições.

"Neste momento, metade do Brasil se solidariza com ele, enquanto a outra metade ri, comemora e debocha. Mas, no meio de toda essa disputa política, existem duas meninas que não escolheram nada disso e que podem carregar para sempre as consequências das decisões dos adultos. É impossível não pensar nelas", conclui a postagem (leia na íntegra ao final).

Caio republicou a nota de solidariedade, mas com um comentário em sentido oposto: "Protocolo Romanov nelas sem mais delongas". A expressão faz referência à execução de Nicolau II, da mulher e dos cinco filhos do casal por um pelotão de revolucionários bolcheviques, em 1918. A conta do X não está mais disponível.

Caio tem 23 anos e se formou em Sistemas de Informação na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Ele estava na Intelbras há pouco mais de três anos, tendo passado de estagiário a assistente de desenvolvimento de produto em julho de 2024.

No domingo (25), o perfil teria repostado uma publicação do dia anterior, também com conteúdo violento: "Guilhotina amanhã às 14:00 na famíila Bolsonaro e no PL".

A Gazeta do Povo entrou em contato com Caio Anjo Fernandes. O espaço segue aberto para manifestação.

Leia a manifestação de solidariedade às filhas de Flávio

"Flávio Bolsonaro tem duas filhas, de 14 e 12 anos.

Há apenas 72 horas, essas meninas viviam momentos de enorme expectativa, diante da possibilidade de ver o pai eleito presidente da República. Uma mudança que transformaria ainda mais suas vidas, já tão agitadas pela exposição política da família desde que eram pequenas.

Mas tudo aconteceu de maneira diferente. O pai perdeu a eleição e, de repente, elas se viram embarcando em um avião para Foz do Iguaçu.

Sem tempo para se despedir dos amigos, dos vizinhos, dos familiares ou da vida que conheciam, atravessaram a pé, durante a madrugada, uma estrada escura na região da fronteira, como personagens de um filme de terror, até chegar a outro país.

Depois de uma madrugada e uma manhã de enorme tensão, embarcaram novamente, agora rumo a um destino no exterior, possivelmente sem compreender completamente o que estava acontecendo.

Não tiveram sequer tempo para assimilar o resultado de uma eleição que imaginavam terminar com a consagração do pai e que acabou se transformando em uma fuga diante da possibilidade de prisão.

Na tentativa de escapar das consequências de seus próprios atos, Flávio expôs as filhas adolescentes a uma experiência traumática, cujas marcas podem acompanhá-las por muito tempo.

Neste momento, metade do Brasil se solidariza com ele, enquanto a outra metade ri, comemora e debocha.

Mas, no meio de toda essa disputa política, existem duas meninas que não escolheram nada disso e que podem carregar para sempre as consequências das decisões dos adultos.

É impossível não pensar nelas."

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