O julgamento de Altaídes Prestes Lemos, acusado de assassinar, em 2003, Paulo Gustavo de Freitas Turkiewcz, herdeiro da rede de lojas Disapel (adquirida em 2000 pelo Ponto Frio), começou por volta das 10 horas desta quarta-feira (16) no Tribunal do Júri, em Curitiba, em meio a um protesto silencioso de familiares e amigos da vítima. Um grupo de aproximadamente 20 pessoas esteve no local com camisetas e faixas com pedidos de justiça. Turkiewcz foi morto com três tiros na cabeça em abril de 2003, no estacionamento de uma academia de tênis localizada no bairro Santa Felicidade.

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Lemos é acusado pelo Ministério Público de ser o autor dos disparos. Ele responde por homicídio duplamente qualificado, mesmo crime pelo qual foi condenado, em fevereiro de 2008, Rogério Juliano Gonçalves, que seria um dos agenciadores de Lemos. Além deles, outras duas pessoas são acusadas de envolvimento no homicídio, mas ainda não foram a julgamento: o advogado Guilherme Navarro Lins de Souza, apontado como mentor e mandante do crime, e Sebastião Cândido Gouveia, que teria sido contratado pelo advogado e agenciado Lemos para a execução, em parceria com Gonçalves.

"Acredito que ele [Lemos] será condenado, assim como foi o Rogério", afirmou Ana Cristina Turkiewcz, irmã da vítima, pouco antes de começar a audiência no Tribunal do Júri. Segundo ela, Lins de Souza era amigo de Turkiewcz, e até hoje tanto o advogado quanto Gouveia são vistos à solta nas ruas por amigos. "Nada vai trazer ele [Turkiewcz] de volta, mas as pessoas têm de pagar pelo que fizeram", falou. "Espero que a justiça seja feita", limitou-se a dizer Florinda Tomé, viúva de Turkiewcz.

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A rede de lojas Disapel, fundada na década de 1970, teve sua falência decretada em junho de 2000, ocasião em que contava com 81 filiais distribuídas nos três estados do Sul do país – 36 no Paraná, 20 em Santa Catarina e 25 no Rio Grande do Sul. As lojas foram levadas a leilão, e adquiridas por R$ 12,1 milhões pelo Ponto Frio.

Defesa

Ainda antes do início do julgamento, o advogado do réu, Matheus Gabriel Rodrigues de Almeida, explicou qual será a estratégia de defesa de Lemos. Segundo Almeida, seu cliente não estava em Curitiba no dia do crime, e um documento que atesta que ele recebeu atendimento odontológico no estado de Santa Catarina naquela data comprovaria a afirmação.

Ainda de acordo com o advogado, o único indício que o Ministério Público usou para acusar o réu foi o depoimento de outro acusado, Gonçalves. "Lemos sequer conhecia os outros dois [Lins de Souza e Gouveia]", afirmou. Ele admitiu, contudo, que Lemos já teve passagens anteriores pela polícia, por porte ilegal de arma de fogo e tentativa de homicídio.

Procurado pela reportagem, o advogado da família, Roberto Brzezinski Neto, não quis falar sobre o assunto antes da audiência. O julgamento não tem horário para terminar, mas a expectativa é que seja encerrado apenas à noite. O último julgamento do caso teve duração de 12 horas.

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