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A Justiça Federal de São Paulo condenou nesta terça-feira (28) o fundador e presidente do PSTU, José Maria de Almeida – o Zé Maria – a dois anos de prisão em regime aberto por racismo contra judeus. O político esquerdista pregou publicamente a destruição do estado de Israel.
O discurso em que o ex-metalúrgico defendeu a violência contra o estado “sionista” foi proferido em uma manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, em outubro de 2023, e que foi transmitida no canal oficial do partido no Instagram.
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“Todo ato de força, todo ato de violência do povo palestino contra o sionismo é legítimo, e nós temos que apoiar aqui, na Palestina e em todo o mundo”, disse na ocasião Zé Maria.
No mesmo discurso, o político pregou o “fim”, “de uma vez por todas”, do estado de Israel. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) ingressaram no Ministério Público com uma queixa-crime por discurso de ódio.
Declarações "degradantes"
Em sua decisão, o juiz Massimo Palazzolo considerou as declarações “degradantes”. “Insta salientar que a crítica ao Estado de Israel, por si só, não configura uma prática antissemita ou tampouco antissionista, contudo, as mensagens transmitidas pelo acusado, demonstram um teor degradante, generalista e de cunho preconceituoso”, escreveu o magistrado.
O PSTU informou que vai recorrer da decisão no Tribunal Federal de São Paulo (TRF3). “Vamos manter a nossa luta em defesa do povo palestino, contra o genocídio e pelo fim do Estado sionista, racista e colonialista de Israel, por uma Palestina laica, democrática e não-racista, onde todos os povos, judeus, árabes e de todas as etnias e religiões possavam conviver pacificamente. Palestina livre, do rio ao mar”, declarou Zé Maria, citado no site da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB).
“Do rio ao Mar”
A expressão "Do rio ao mar" se refere ao Rio Jordão e ao Mar do Mediterrâneo, tendo sido usada pela primeira vez em 1964 pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Geograficamente, é “perfeitamente claro” que o slogan "Do rio ao mar" fala de um trecho de terra entre Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
Então, uma Palestina “do rio ao mar” só poderia implicar em riscar Israel do mapa, conforme escreveu o colunista Thomas Latschan na agência alemã Deutsche Welle em 2023, ano em que a Alemanha proibiu seu uso por ser uma expressão de discurso de ódio e antissemitismo.
Antissemitismo na esquerda
O vínculo com grupos radicais nunca inibiu o apoio de legendas da esquerda brasileira mais radical, como já ocorreu também com o Partido da Causa Operária (PCO). A agremiação compareceu em março um evento de manifestação contra um suposto “genocídio palestino”, representada pelo dirigente João Pimenta — filho e herdeiro político do presidente do partido, Rui Costa Pimenta.
Em seu discurso, Pimenta cobrou maior apoio do governo Lula ao regime iraniano e ao que chamou de “Eixo da Resistência” ao imperialismo norte-americano, coalizão dos “mártires” que inclui Irã, Líbano e Palestina. A morte de Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo a Teerã, é chamada por ele de “martírio”.
“Nesse último mês, eles mostraram que é possível parar a máquina de guerra de Israel. Esses companheiros, tanto do Hezbollah, do Hamas e da Jihad Islâmica, quanto do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, mostraram que não temos que ter medo do imperialismo”, afirmou Pimenta, de acordo com a transcrição publicada pelo jornal Diário da Causa Operária, órgão de comunicação do partido.










